Antes de um acordo ideal entre o dito e o dizer, queremos dar lugar à suprema diferença entre o dito e o dizer de quem fala, e que leve em conta também a possibilidade de modificarmos nossa posição subjetiva em relação ao dito.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
O Corpo.
Saí do consultório e fui direto pra Litorânea dar uma corridinha básica. Faltei academia e precisava purgar meus fantasmas abdominais suando um pouco. Corri uns 15 minutos sem parar e, já esbaforido quis parar. Não parei. Veio uma sensação de que eu nunca tentei me superar. Desde da adolescência que parei na superação; sempre fui um pouco covarde e nos jogos de basquete nunca me esforçava tanto. Achava que eu não precisava me esforçar, que seria mais fácil assim. Uma indolência primitiva. Provavelmente tangenciada por meu Édipo, tão mal resolvido. Assim, resolvi continuar a correr, sem parar. “ Rafael, conhece-te e ti mesmo”. E que melhor forma de se conhecer do que sentir no corpo a dor do seu limite? Queria levar ao extremo a dor do meu corpo e sentir o suor e meu coração me dizer, batendo forte e cansado, até onde eu poderia ir? Eu queria me superar. Realizar algo fruto de uma superação, ainda que fosse chegar ao próximo poste de luz. Fiz. Senti a dor de realizar algo sozinho, com meu próprio corpo como abrigo e instrumento. O corpo é a resposta para a solidão. Saber usá-lo, como fiz ontem ainda que incipientemente. Sentir o corpo e superá-lo dá a sensação de que com o nosso corpo jamais podemos estar sozinhos, só não o conhecemos ainda. O calor que dele emana, a força de domar suas próprias raízes. Talvez o que Paulo dizia: sujeitar o próprio corpo e dominá-lo. Ele sabia bem.
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