domingo, 21 de novembro de 2010

Fragmentos de um pensamento em construção.

Tempos sombrios esses nossos. O que pode acontecer quando o inumano tomar de conta novamente do humano? Evolução? Mudanças na espécie? Novos ares? Tempos?  Seria a comida que comemos dirá alguém.  É a tv. Internet. Orkut. Aí todo mundo dá  as mais variadas explicações. De por que estamos tão conectados e ao mesmo tempo cada vez mais solitários. A força humana que  uma carta de papel tinha um e-mail, hoje em dia, raramente tem. O impacto, o trabalho implicado e o laço criado não são mais os mesmos. Não que a internet não seja capaz de criar laços, ao contrário, ela os cria todos os dias. A questão é que qualidade de laço social – se o laço social em si, pela sua natureza discursiva é virtual, a internet leva a virtualidade do laço para o extremo. O ponto de referência discursiva que posiciona as relações fica completamente volatilizado na sociedade virtual- imagética.

 A internet não é mais questão privada de cada computador; ela é uma rede social que englobou completamente o real dentro do virtual, talvez gerando uma confusão da qual dificilmente se consegue sair. Pessoas inconsistentes, vivendo num tempo volátil são pessoas que se sentem atraídas por um ambiente volátil como a internet. Toda tecnologia ou descoberta científica surge a seu tempo e somente quando a sociedade está preparada não só para produzi-la, mas principalmente para aceita-la e incorporá-la. Assim, não parece ser a internet que cava no homem as famosas relações “líquidas”, mas é uma sociedade liquefeita que gera seus próprios sintomas. E como se sabe, um sintoma não é em si bom ou mal: dele se goza. Entretanto, se dele gozamos é porque ele próprio diz algo singular sobre nossa existência. Assim, é dele também que vamos tirar uma saída criativa para sair da paralisia sintomática. Quero dizer com isso que é o sintoma mesmo que pode manifestar sua mensagem salvífica. Do mesmo modo, a internet em si só não transforma as relações. A fragilidade do laço é que conclama a exacerbação da virtualidade da relação humana. 
Homens liqüefeitos  acham a internet um lugar perfeito para desistirem, muito mais rapidamente, de sua humanidade. 

Um comentário:

  1. Me inspirou a falar um pouco sobre isso no meu blogger. Realmente o sujeito está desbussolado.

    ResponderExcluir