domingo, 17 de agosto de 2008

remake.



( este é um texto que escrevi em dezembro de 2007.decidi fazer algumas mudanças. Quem quiser comprar é a postagem do dia 16 de dezembro de 2007)

É preciso força para não reclamar da vida. Eu sinto o empuxo daqueles que só sabem reclamar da sua sina, de amores perdidos, de sorte mal amada. Acordei hoje com uma coisa meio: “se você crer em Deus, erga as mãos para o céu numa prece, agradeça ao Senhor, você tem o amor que merece”. Mas nem sempre consigo ser tão traiçoeiro comigo mesmo. Por vezes, me pego correndo atrás de mim mesmo; perseguindo-me além da conta. Chego a correr mais rápido que eu, uma luta injusta saber meus defeitos e fraquezas. Talvez fosse melhor me deixar alcançar; colocar-me a conversar comigo mesmo e deixar que eu ouça as vozes que me querem dizer segredos e ilusões. “Senhorinha levada batendo palminha, fugindo assustada do bicho papão...”. É a parte de mim que precisa reclamar e dizer o quanto odeia as obrigações de felicidade. Uma voz bem minha e que me arranca amargura das brechas do coração--daqueles lugares que não cicatrizam bem. É de lá que brotam flores murchas que não se pode dar a ninguém. Mesmo assim, se oferece as flores. Pétalas caídas de uma imensidão tão triste... Tão poética... Tão cálida. De tão frágil,tudo ao redor parecer ser tão pesado, tão denso. Mas, não é escuro. Tem sua graça e força. Se é verdade que o que não mata fortaleza, hoje sinto uma linha trêmula por cima do penhasco ( viu Sandra?).

Minha parte de pétalas não quer saber do ridículo, ou das regras que ensinam a ser menos ridículo. Ás vezes ela chora prenha, outras áridas e inférteis. Ouço gritos roucos que me dizem verdades objetivas: duras e ásperas. Minhas reclamações não alcançam ninguém. Mas há algo em mim que alcança alguém. São tentáculos psicodélicos de uma alma que é ávida mesmo. Admite porra.

Porque para alcançar é preciso saber dizer em palavras vulgares, no entanto, o mais importante não pode e nem deve ser dito senão pela poesia de palavras costuradas. As palavras secas dos que dizem não sofrer, não servem para nada. A não ser para ferir corações já por demais feridos. É...Os humanos não têm pena de si mesmo. É preciso também muita coisa para não se ter pena de si próprio, quando ninguém mais tem pena de nós. Oh Deus tende piedade.

"...os seres..., ávidos de gozar a vida, sentem frequentemente a nostalgia de coisas infinitamente delicadas: frieza virginal, misteriosa atração do inacessível...Não sei como definir tais coisas. Aparentemente, são muito materiais e muito sanguíneos, até um pouco grosseiros, e niguém suspeita dos devaneios romanescos e sentimentais a que se entregam, porque esses homens bulhentos e robustos têm uma alma cheia de pudor. débeis virgens pálidas não escondem mais pudicamente o que se passa nas suas almas. Compreendes ....Que estes íntimos sentimentos, impossibilitados de se exprimir na linguagem vulgar, façam artista o homem que os tem?É incapaz de dizer o que sonha; nós é que temos de crer na vida misteriosa que dentro dele se agita e que, de tempos em tempos, produz , á luz do dia, uma flor de muito delicado aroma..."
Niels Lynne ( J. Peter Jacobsen)

4 comentários:

  1. Homem, larga de auto-indulgência. Ser feliz dói, ser triste também dói. Tudo dói. Então, vem doer traçando planos, metas, objetivos. Vem doer indo pra algum lugar, mesmo sem saber que lugar é esse, mas indo, indo, sempre indo... Quem pára cansa, quem espera dança. Anda, anda, anda. Anda que a dor se distrai vendo a paisagem, anda que a dor cai exausta a implorar um gole de água, anda que ela vai ficando pra trás, cada vez mais distante. Anda vai. Faz a máquina correr, o mundo girar, o coração dar voltas. Revira a alma do avesso e estende no varal sem nada esperar, só pelo prazer de estar ao sol, ao vento, ao cheiro da cidade que invade tudo. Porque tudo é pra ser visitado, todo lugar, toda penumbra, toda derme, toda epiderme, toda alma, todo coração.

    E se murcharam as flores aí desse teu jardim, semeia outros amores, num canto só teu sem dores, porque nem tudo é ruim.

    Grande abraço de um aprendiz de jardineiro.

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  2. não costumo fazer isso, mas agora farei.
    vc não compreendeu a idéia da coisa;o que eu quis dizer. lógico que o sentido que dá somos nós. vc viu com seus olhos, mas ás vezes ver com nossos olhos é a incompreensão. eu disse , em outras palavras ( e outro campo epistemológico) mais ou menos o que vc disse. só que sem as firulas e a metafísica. a citação que fiz de Jacobsen, acho, deixa tudo bem claro. portanto, vou repetir:

    .Que estes íntimos sentimentos, impossibilitados de se exprimir na linguagem vulgar, façam artista o homem que os tem?É incapaz de dizer o que sonha; nós é que temos de crer na vida misteriosa que dentro dele se agita e que, de tempos em tempos, produz , á luz do dia, uma flor de muito delicado aroma..."
    Niels Lynne ( J. Peter Jacobsen).

    abraço de um espinho lutando para não ser podado pelo jardineiro; porque se deve comer as rosas com espinho e tudo.

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  3. Ai gente, sinceramente.... Fiquei entre a metafísica poética dos insanos e o receituário manualesco da vita beata. Imaginam por quem optei, sem nenhuma condição do contrário? Condenada a enausear-me para sempre com os conselhos sensatos de almanaque. E te digo Rafael sobre as flores murchas e pétalas caídas...e oferecidas que:
    "No outono,
    Aquilo que em mim é sentimento também vive em folhas secas.
    Mas não há vento que as afugente
    Nem agasalho que as aqueça
    O melhor a fazer é usar a ponta fina do salto
    E proteger as mãos."

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