Pode-se começar a escrever por qualquer lugar. Outra vez brincar com as palavras, tem sido um prazer bom nestes dias.tenho tentado escrever da forma mais simples que puder. Aquilo que não se desprega do corpo luta-se para colocar em palavras, e por isso tem que ser tão simples porque tem que ser um dito que concretize, quase matematicamente todo peso do corpo, da agonia de ser um corpo. Porque no fim das coisas, é isso que somos, um corpo vivo, pulsante, apertando por todo lado e dando um trabalho medonho. O projeto de uma vida deve ser adequar a um corpo, como diria uma querida amiga, “ etre bien dans as peau”. Estar bem na própria pele, tentativa homérica de minha existência.
Mas, não é disso que quero falar. Bem que Freud dizia que o que um homem não fala em palavra lhes escapa pelos dedos. Ouvindo Elis cantar “ Esse corpo moreno” é gozado não? Não estava ouvindo quando comecei a falar em corpo, mas um motivo deve ser. Tudo bem, amanhã eu vou malhar. É uma forma não escrita de lidar com a pulsão, não? Dar gracejo ao corpo, movimento e acima de tudo um destino a tantas exigências pulsionais. A pulsão como aquilo que impõe ao corpo uma exigência ou demanda que, se não fosse a resistência da palavra, sufocaria o corpo num gozo insuportável, sem sentido—o vazio da libido.
É isso, o vazio da libido num corpo: o silêncio das veias, sangue, vísceras...Os barulhos dos órgãos, a pressão arterial, o silencioso cérebro. Todo esse silencia quebrado por palavras que,antes de serem pronunciadas estão fadadas a jamais dizer todo esse suplício
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