quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Bicho de porco




Todas as horas chegam. Eis a verdade: para tudo chega seu tempo. O tempo chega; a gente é que não reconhece, ou está com pressa demais pra ver o óbvio, ou está num processo de autodestruição que é tão gostoso quanto coçar um bicho de porco.  A quem tem “ouvidos para ouvir” os tempos chegam e se apresentam , quase sempre, oportunamente. Para mim chega agora, “ no dia que se chama hoje” um tempo de descansar. Gastar menos energia com aquilo que eu chamarei agora de “ meu bicho de porco”.
“bicho de porco” é tudo na minha vida que dá uma coceirinha gostosa, dá prazer, ás vezes muito prazer, mas no fim das contas dá pouco ou senão nenhum prazer em longo prazo, ou como chamarei agora, nenhuma satisfação genuína. Normalmente, o “ bicho de porco” na minha vida é um prazer, prática ou hábito que para que eu goze dele outras áreas da minha vida acabam sendo prejudicadas, o que , em longo prazo resultará em mais desprazer do que prazer. Pareço racional demais? Sim, claro. Mas, eu descobri que o único antídoto contra o bicho do porco é a razão, ou pelo menos um bom raciocínio. Porque de fato, o gozo, oblitera nosso pensamento e aquilo que é uma coceirinha boba pode ocasionar inflamações e úlceras localizadas. Tétano e gangrena podem resultar de infecções secundárias, e existem registros de auto-amputação dos dedos dos pés.
Que lição aprendemos com o bichinho de porco? é simples: alguns males devem ser extirpados de nossas vidas,absolutamente amputados, posto que se formos complacentes com o mais inocente hábito  as conseqüências podem ser para sempre nefastas. Achei interessante saber que se você continua coçando o bicho de pé há registros na medicina de auto-amputações, ou seja, você coça tanto, fica tão absorto no prazer de coçar o parasita que se alojou em você que não se dá conta, quando, gozando a qualquer preço você arranca um pedaço do próprio pé. E aquela mistura de prazer e dor, que tão bem caracteriza o conceito psicanalítico de gozo, faz-nos cair numa ilusão de que tudo vale a pena quando se goza. Ledo engano. O bicho do pé é uma pulga, um parasita e assim, não há outro tratamento que não removê-lo de seu corpo e jamais brincar com ele só porque essa brincadeirinha lhe dá certo prazer. Use a razão de vez em quando. Olhe o tempo; avalie os tempos. Saiba contar bem os seus dias e discernir seu tempo pessoal. Sua estação do ano... È preciso saber viver. E veja só--, eu sei que saber viver é algo muito mais a posteriori do que gostaríamos que fosse, mas dá tempo de viver um pouco do que se aprendeu antes de morrer.

Um comentário:

  1. Teve um tempo que eu vivia com frieira entre os dedos do pé- hehehehe - e gostava de coçar com o lençol. Era massa, mas pra curar tinha que aguentar ficar sem coçar. Acho que a todo mundo tem mesmo uma frieira na vida. Sábias palavras. Abs. Aparece, rpa. ;)

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