quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Loucura Discreta.


É tão difícil? É pedir demais faíscas e fogos de artifícios? E não peço romance, só peço amor. O amor mais  puro, do tipo que só ama, mesmo sem ser amado.  E eu quero as palavras catadas, todas elas que sejam capazes de dizer a verdade do meu próprio corpo.  Não quero mais a ladainha murmuradora, o tom beligerante, reclamante do meu ser.  Eu só quero dizer! Agora, sim, só quero dizer de mim! Quero falar bem sobre todas as minhas veias, sangue, púrpura e carmesim!

Quero o caminho mais profundo das letras! Como é doce sentir o sabor de todas. E a imaginação, que gozo é olhar por dentro. Quero deitar no divã e não falar mais sobre mim, sobre os outros, sobre o que quero e o que não tenho, não tive e nunca terei. Quero falar...Simplesmente falar. Levar minha língua ao limite mais inacessível  de tudo que quero mesmo dizer. E dizer. E nada compreender , mas somente dizer. Bem –dizer meu líquido, meu sangue. O que sinto. As águas que correm dentro de mim. Chamá-las pelo nome. Dar nome a todos os animais!

E se não me vêem, qual a questão? Eu quero ver com a língua .Dá-me, oh Aquele que vive, dá-me papilas gustativas na língua! Dá-me hálito de dragão, calda de anão. Dá-me pés rápidos e fortes. Quero andar por sobre estas águas. Acalma minhas águas. Congela esse rio. Só queria surfar sobre meu queixo, descer no meu peito, recostar-me em meu sexo e me engravidar...Das luzes...dos fogos. Das faíscas de tudo que há! Quero a loucura discreta de viver.

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