O Grito, por Edvard Munch.- Acesse o link e saiba mais sobre o pintor.
Haaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa.
Pode um grito suprir a alma?
Háaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
Há o que?
Ah! O que?
Pode um grito alimentar a convicção de que sofro? E de que meu sofrimento é legítimo?
Que meu corpo sofre de uma doença mortal; de carregar minha alma tão pesada. O sofrível sortilégio lançado sobre minha doce infância. Tudo aquilo que antes era nu e límpido hoje chora negras- copiosas lágrimas. E nem consigo chorar, o que seria uma bela libertação. Eu só choro perante belíssimos coros, novelas ou com os filmes. Livros quase nunca. Conversas também não. Quase ninguém tem o poder de me fazer chorar ou mesmo de me dá alguma consolação. As palavras que me dão não passam, como disse a um bom amigo, respostas padrões. Tentativas desesperadas de tapar o sofrimento com a peneira. E a angustia e a dor são como o sol - brilham com efusão; cegam os mortais de dor. Consolações padrões não surtem efeito. Não estou precisando de nada. Não quero nada. Furei o furo. Mordi a boca e sangrei profundamente. Tanto que surgiu um rio de sangue; são minhas veias e furações. Tudo ao mesmo tempo me dizendo que não há mais tempo para isso. E ainda assim quero viver parado no espaço de meu tempo.
E pode um grito curar uma ferida?
Se puder. Darei o maior grito. Talvez esse torpor, essa letargia seja a calmaria de uma grande onda. Quando a maré retrocede. E depois disso tudo darei o grande grito. O grande desespero de minha alma e aí então saberei se há comida num grito.
Pode um grito encher os lapsos ?
Meu corpo gira em seu próprio eixo, como um planeta lunático expiro o último ar. Espero docemente o fim do meu deitar...Até quando eu quiser. Porque há um ritmo na vida. Quero respeitar o ritmo dos animais. Os ursos hibernam por meses e ninguém os chama de preguiçosos. Porque Deus não me fez urso? Ou porque eu não posso comer e passar seis meses dormindo? Sorvendo meu próprio sangue.
Eu quero ser o vampiro que vai me morder e me transformar em morto-vivo. Não quero que seja outro a fazer isso. Já dei muito meu pescoço a morder. Quero a paz de deitar e ficar! E ficar lá sem esperar nada. Um chamado, ligação, convite ou encontro. Quero a paz de verdadeiramente ficar só. Será que posso suportar a grande solidão? O grande confronto?
Eu quero o grande choro...Só haverá grande clamor depois do copioso silêncio.
Silêncio do corpo, órgãos, boca e língua. Silêncio do sexo, vísceras e cabeça.
Cala-te como aquele que hiberna. Organiza tuas forças. Não dá a ninguém mais tua energia. Sorve tu mesmo tua força. Mas, como aprender essa natureza? De nada desperdiça.
Desperdicei muito e agora meu corpo cobra suas forças. A sábia alma cobra sua vitalidade e eu sei disso. Pode um grito acordar uma vida? Pode. Pode, sei que pode. Só não tive a força ainda para dar o grito alto, o grito torto- meu grito de liberdade. E grita-se porque exercer o desapego daquilo que nos desgasta é de uma dor maluca. Dor de escolher; dor de assumir o dever de podar a arvore. E só a árvore podada vai e dá muito fruto. Quero dar o grito da grande escolha: de beber o vinho novo. Mas, sabe-se faz tempo: não se põe vinho novo em odres velhos e nem se costura pano novo em pano velho. Fazendo isso os odres velhos se rompem e o pano velho se rasga.

querido, mais um belo lamento, parabéns. qt a ausência de consolo, ela é o que de fato legitima seu oco,do contrário ele seria preenchido com a busca imediata do tampão...quem faria diferente? agora,uma coisa é certa (ainda que não console), como diria "nosso" wilde que tanto exitou andar pelo lado dark do caminho, vc está vivendo.sem oco apenas existimos.
ResponderExcluirbjs,
pat.
Você exerce em seus posts um poder de reflexão, meu caro amigo! e isso fortalece muito seu espaço aqui, abraço!
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