domingo, 7 de março de 2010

The Oscar, art and true beauty.








Em meio a terremotos, inundações e tragédias humanitárias, glória a Deus nas alturas Avatar não ganha o Oscar de melhor filme. Ganhei renovada esperança de que a inteligência não está perdida e que há salvação enfim!


Avatar so ganho 3 Oscars, ao contrário do melodramático Titanic que levou 11 com o mesmo diretor, um horror. 


Quanta esperança! Um filme independente, no qual não foram gastos os 250 milhões utilizados para gravar Avatar, ganha 6 prêmios, inclusive o de melhor filme e melhor diretor. Uma mulher, pela primeira vez ganha o prêmio de melhor diretor! Uma negra, gorda e fora de forma ganha o prêmio de melhor atriz coadjuvante. Outra negra, mais gorda ainda, feia e completamente fora dos padrões de Hollywood é indicada ao lado de monstros sagrados como Merly Streep.


Fiquei satisfeitíssimo com as premiações. Rubens Edvald Filho ( este insuportável comentador. Glória ao Pai pela TV a cabo consegui dar mudo na tradução sofrível que ele faz) disse que a academia deu um tiro no pé ao não dar o Oscar a Avatar já que foi o filme de maior bilheteria e maior orçamento. Bem, Rubens não é tão confiante na redenção das coisas como eu. A academia foi justa e como em poucas vezes premiou cinema ao invés de puro entretenimento. Avatar é bom pra entreter, mas cinema não é só isso: é também arte e cultura e por isso deve causar algo além de estupor e muita pipoca. Arte autêntica vai além do sensorial, atinge, causa e faz avançar algum novo saber. 

 Tal foi o que me aconteceu ao assistir neste sábado o belíssimo filme    “ A single man”, traduzido dramáticamente como “ Direito de amar”. A tradução para o português mata completamente a espinha dorsal do filme: seu niilismo e a inexorável solidão da vida. O filme é charmoso, inteligente e muito, muito elegante. Não há como sair dele sem querer tomar um gim tônica e bater papo até altas horas. Foi assim que sai do cinema com minha dileta amiga Patrícia Fonseca, companheira fiel de minha vida cultural. Mais ainda, o filme foge a todos os clichês que o homem comum relaciona a uma relação homossexual. A maneira sutil como o amor entre iguais é tratado no filme devolve a dignidade ao amor homoerótico ao mesmo tempo em que nos mostra que os dilemas da personagem principal não são os de um homem gay e sim que são dilemas de todos nós homens humanos que perante a força da vida não podemos nada a não ser, depois de termos tentado tudo, sucumbir. 


Trailler


3 comentários:

  1. Com a voz da Janice, "oh my God!" estou passada em Cristo c tamanha lucidez!sem lembrar de nossa constante "sintonia cultural", acreditei q eu estava só na torcida contra Avatar!!é q a despeito de ter sido um filme "inovador" eu sempre qro mais da premiação...adorei.Qt ao nosso programa de sábado,apesar do cansaço pelo estágio avançado da gravidez, o filme foi perfeito!amor, amizade e medo tratados numa linguagem elegante e sensível e coroados c uma fotografia perfeita, uma trilha sonora linda e a década de 60 c td sua elegância de vestir!perfect!envelheceremos dignamente tal qual os dois amigos, bebuns, fumantes e dançantes do filme, bjs,
    Patrícia Fonseca.

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  2. amay. rs..estado avançado de gravidez foi tudo. só vou contigo ao cinema agora. ehehe bejs.

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  3. Como psicólogo, tá saindo um ótimo crítico!! rsrs Tenho uma lista de filmes pra ver ainda, depois te conto.

    Escreva mais! E sempre que vier uma pressão de dentro pra fora, é alguma coisa saturada de si mesma, precisando transbordar!!

    Bjoka!

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