Escute enquanto lê:
: meu tempo é quando.
Recentemente recebi o conselho de que devo ser mais prático; tomar decisões que visem mais a eficácia, o melhor e o que deve ser feito. De repente é até um bom conselho. Mas, não sou eu. Gosto de quando perguntam pra Clarice, : Clarice, você escreve com a pretensão de mudar algo? . Ao que ela diz: Não muda nada...Não muda. Na verdade, nós não queremos mudar nada...na verdade, a gente quer é desabrochar, de uma forma ou de outra.
É verdade Clarice mui amada. Não fazemos nada para nada ou para obter resultado determinado. Fazemos as coisas porque não podemos ficar parados; porque o corpo e a alma pedem movimento. Se perguntarem aos animais porque eles vivem e fazem o que fazem eles não saberiam dizer, ou diriam simplesmente que fazem o que fazem para viver, pra não morrer. Eu, faço o que faço para viver; e enquanto faço vou vivendo as coisas que são para viver. “ Outros que contem passo por passo...”, não é isso Vinícios?
Desculpe se não sigo o conselho. De fato sou às avessas, sou lento, indeciso e conturbado. Ainda assim, é meu tempo, é meu desejo e sina. Um ser humano deve seguir sua sina, abraçar sua vida e destino e acalmar-se perante aquilo que inexoravelmente é. Que tanta força para mudar, pra lutar, pra provar que não se é mais criança. A música diz bem: “ provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém”.
De repente, de um salto, vazou meu espírito e ele me disse tudo que agora eu sei:
A gente sabe o que quer. Não há indecisão, mas há o medo. Não há insegurança, há perguntas e tentativas de agradar outros que não seu próprio desejo. E quando o medo e todas as armadilhas que armamos para nós se desvanecem, por um encanto podemos ver os raios lasers.
O que é estar bem na própria pele? É isso. Eureca Senhor, é isso mesmo. Estar bem na própria pele é decidir. O poder de uma decisão normalmente provoca terremotos, tá explicado então os tremores mundo a fora. É que uma decisão exclui todas as outras, mas abre muito mais do que exclui. Decididamente eu não sou daqueles que fazem as coisas com objetivos, alvos e metas. Minha meta é o longo e contínuo desabrochar da minha alma e nisto tenho sido, desde sempre excelentemente bem sucedido. Desde sempre o que eu quero é olhar, ver, sorver, aprender, cheira, mudar, conhecer e mudar...Mudar...mudar o tempo todo. Ver minha alma de outras formas. É a experiência? É isso viver momento a momento? É. É isso.
Não sou mais tão criança, mas se resta um bloco duro de infância porque não abraçá-lo? As coisas não mudam tanto, e a verdade está na infância mesmo. Vi isso, e foi só agora que eu vi. Que minha maior força está onde eu era criança. Quando somos crianças, todos sabemos decidi o que queremos. Sem sombra de dúvidas. Ainda não vivemos os papéis que assumidos achando que são os nossos. Alguns são personagens maravilhosos, outros malignos, mas nenhum é a criança que um dia fomos e que sabia bem a verdade de seu desejo, e tinha medo: tinha medo sem ter vergonha ou se desculpar por ter medo.
Ainda bem que eu vi, vi meu tempo; minha carne. Vi que as palavras bobas que aqui escrevo são minhas..Meu dito...Meu dizer. E é meu.
Não tenho prata nem outro , mas o que eu tenho eu te dou :
Ao som de aplausos: eureca mesmo!Falou por muitos meu qrido,por muitos de nós q insistem em forçar uma barra p parecer bem resolvidos qd td q há de mais humano é se resolver devagar...viver leva tempo...e não nos preocupemos em se fazer entender não...ela mesma nos disse q viver ultrapassa td entendimento...sorver o ponteiro do relógio mudando de lugar decidindo qlq coisa ou jogado numa inércia tropical profunda...this is the real life...Obrigada por me permitir ler seus tão bem escritos esta manhã...
ResponderExcluirum bom dia cheio de in-decisões p nós...
Patrícia.