O natal chegou e sempre chega pelas músicas. Soli Deo Gloria.
Antes de um acordo ideal entre o dito e o dizer, queremos dar lugar à suprema diferença entre o dito e o dizer de quem fala, e que leve em conta também a possibilidade de modificarmos nossa posição subjetiva em relação ao dito.
domingo, 20 de dezembro de 2009
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Retrospectiva 2009
E lá vai eu na minha tentativa de despistar a tal da Auditoria de Vida! Tentando fugir de avaliar o ano que agora se esvaia me pego driblando minha consciência e inventando mil maneiras de fazer uma auto-avaliação menos clichê. Flanando pelo blog do Nazarian vi que ele fez uma breve retrospectiva que ficou bem legal. “ lai vai a minha!”.
Em janeiro voltei a São Luís. Cheguei triunfalmente carregando meu buraco, tive um feliz buraco novo e, ao redor dele, construir todos os planos para o novo ano: deveria ficar como buraco, como diria meu analista.
Minha primeira leitura foi Niels Lyhne. Quando pensei em qual seria meu primeiro livro do ano não tive dúvida; eu tinha que reler Jacobsen. Há uma profundidade de vida interior que só encontrei neste livro. Sinto que ele será novamente minha primeira leitura. Todo mundo precisa de um livro de cabeceira.
Janeiro foi um mês cheio, mas o principal evento foi minha tão aguardada formatura. Depois de 11 anos de universidade, ( entre o Direito e a Psicologia; entre uma transferência e mudança de cidade)finalmente, literalmente em chagas abertas, formei. Foi feliz, mas foi só um começo feliz.
Depois de me estabelecer em São Luís retomei minha análise, eu sabia que seria essencial para iniciar minha carreira como clínico. Comecei também minha prática clínica. Gentilmente recebi o convite de uma tia para atender em seu consultório. Foi uma ajuda inestimável pela qual sou muito grato. Iniciei uma série de posts tentando incluir mais da teoria psicanalítica,em uma linguagem acessível no texto do blog. Iniciei assim, uma tentativa, a meu ver, bem sucedida, de tornar a psicanálise parte da vida dos meus leitores e de meus escritos.
Devido a intensidade que vivi minha análise pessoal, o blog lentamente começou a tomar um tom muito mais intimista e confessional. Muito mais do que sempre foi. Este ano foi de vivências intensas, mudanças, riscos. Dei minha cara a tapa, ás vezes sem saber exatamente o que eu estava fazendo, outras propositadamente. Por vezes, impulsivo, carente, imaturo e infantil. Mas, todas as mudanças pelas quais passei estão gravadas no blog. Quem tem olhos bons para ler poderá ver tudo. Meu maior defeito é ser transparente, entretanto, termino o ano sabendo que é preciso algo velar. O mundo é mal e a população é imbecil. Já era tempo de aprender, afinal de contas em 2009 completei meus cabalísticos 30 anos.
Aos 30 anos me senti à beira de um precipício. Escolhi saltar. Não cheguei ao outro lado. Cai vertiginosamente, e talvez, isso responda porque eu, até o momento, esteja me sentindo estagnado. Porque o salto foi pequeno. Eu deveria ter saltado mais alto. Tive medo e cai no abismo. Não há de ser nada. Reconheço a queda e sei que com o Eterno a gente cai pra cima.
Em 2009 também tentei fazer as pazes com minha vocação espiritual. Como muitos de vocês sabem, não deu muito certo. Mas, realizei alguns seminários na tentativa de ajudar outros a expandirem sua experiência espiritual. Não deu certo. Certamente porque ainda era um salto pequeno; uma tentativa besta de me auto-justificar. Como que um pedido de permissão.
No mês de Julho participei de uma seleção para trabalhar como psicólogo num projeto especial da Defensoria Pública do Maranhão. Fui selecionado e em agosto comecei a trabalhar na assistência gratuita aos presos e familiares. Uma experiência ímpar de uma entrada num mundo que jamais imaginei existir. Fui com a cara e a coragem. Ainda não me arrependo. No mundo prático e concreto foi uma das minhas grandes realizações neste findo ano.
Ha! Como esqueci. Antes disso MJ morreu. Choquei, fiquei rosa chiclete. Uma pena ele ter ido logo, mas não há dúvidas que seu semblante, aquilo que ele causa e representa ficou mais forte do que nunca, pois é assim com os mitos: quando morrem ficam muito mais fortes, e mostram que sua força nunca foram eles mesmos , mas o desejo que causam.
Em agosto as águas começaram a se agitar. Decisões há muito tomadas em meu coração começaram a pedir satisfação. O pequeno salto que dei reclamou suas conseqüências. Vivi mais. Senti tanta coisa ao mesmo tempo; escorreguei nos percalços. Gastei energia em tudo, comigo, com os outros. Dormi pouco esse ano porque minha alma estava acesa. Crendo em tudo e vendo tudo ao sol me espantei com as possibilidades. Vivi muito, mas fui pouco eu mesmo. Não é triste, não. Descobri a tempo...Tem gente que vive a vida toda sem tornar-se o que é. Ainda posso corrigir. Neste sentido, dia 15 de setembro cometi o maior dos “ pecados”. Rompi de completo com minhas relações com a igreja Evangélica. Excomunguei-me.
Refletindo assim, faz pouco tempo. As conseqüências ainda virão. Meu mal é que vivo três meses como se fossem cem anos. É tudo muito intenso...Parece até que nasci prematuro. Tomei a consciência de minha avidez pela vida. A pressa de viver.
Refletindo assim, faz pouco tempo. As conseqüências ainda virão. Meu mal é que vivo três meses como se fossem cem anos. É tudo muito intenso...Parece até que nasci prematuro. Tomei a consciência de minha avidez pela vida. A pressa de viver.
Chego ao fim. Se me perguntam o que de prático fiz, eu digo: malhei durante o ano todo. Logicamente não estou sarado. Mas, o fato de insistir na academia o ano todo é uma vitória. Minha vocação para o levantamento de pesos mostrou-se pífia. Chego lá! 2010 eu continuo a saga rumo ao meu corpo, um dia faço as pazes com ele.
Ufa! Olhando para trás dá pra ver que não fui tão inútil quanto eu sinto ser. E por que essa sensação de estagnação? Foi o ano da minha graduação, iniciei meu consultório ( com relativo sucesso), comecei em um razoável emprego, publiquei um artigo científico, apresentei um trabalho num congresso Sul-Americano de Psicanálise, fiz novos amigos, aprofundei amizades antigas, conheci novos lugares, viajei, ajudei pessoas. Ainda assim, sinto que continuo a cair e não chegar do outro lado do salto. Acho que vislumbro a resposta... “a dúvida não desinflama enquanto a gente não se der”.
Sinto que bebi o ano de uma vez; goladas voluptuosas, enormes, enchentes de vivências. Talvez precise diminuir o ritmo. Ano passado foi o buraco que me fez parar. Este ano é a coluna. Tive uma contratura muscular ontem, o que me obrigar a parar, diminuir o ritmo e acreditar mais na minha própria experiência solitária. Crer no que posso tirar de mim mesmo. Das minhas lembranças, dos meus sentidos. A dor sempre foi meu tutor. Espero um dia não mais precisar sentir dor para sentir a mim mesmo. A dor parece me chamar pra perto de mim na hora que mais preciso de mim. Meu corpo é sábio, ele sabe melhor do que eu a grandeza que carrego em mim. Como diria Clarice, “ sou mais forte do que eu”. Questão é que ainda não vejo ou se vejo, nisso não acredito. Mas os ventos de 2010 alertam-me: escute a parte de você mais forte do que isso! Quem sabe no ano que vem eu faça as pazes com a dor e comece a sentir as coisas de outra forma
Na vida não tem prova de recuperação. Quando a gente reprova começa tudo de novo, mas é sempre uma nova escola. Tem sempre uma nova chance: sem auto-comiseração, sem remorsos ou feridas lambidas. Encerra-se um ciclo, lança-o no ostracismo e bebe-se tudo de novo. Cuidado só nas goladas. Mais graves, menos desperdício, mais medida. Nem tão perto do chão, nem alto demais. O mundo, como dirá Nietzsche, parece mais belo à meia altura.
Mozart.
Laudate Dominus é uma peça belíssima de Mozart que me encantou recentemente.
Ei-la para seu deleite...
Ei-la para seu deleite...
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Mastigando bem.
Fim de ano se aproxima. Mas, como já deixei claro, este ano, não farei auditoria de vida. O que vivi, já foi vivido e foi importante. Sou meio burrinho e é por isso que para entender meus limites preciso entrar no âmago de cada experiência, sorvê-la, atravessá-la até que tudo se faça compreender sem abstrações ou racionalização. Simplesmente surge um saber, ou melhor dizendo, saber-fazer com a vida e seus mistérios.
Contudo, não resisto à tentação de fazer minha lista de resoluções de ano novo. Não comecei a listar nada ainda, mas tem uma coisa com a qual ando flertando faz um tempo. Preciso tomar decisões práticas, como por exemplo: dormir mais cedo, gastar menos energia com aquilo que não é alma. Ler mais, arrumar meu quarto, comprar roupas que digam algo sobre mim. Acho que estou tentando dizer que preciso olhar para dentro; tirar as garras das expectativas alheias de mim. Ouvir meu próprio corpo. Sentir mais as coisas. Sempre fui muito intenso e passional, entretanto preciso admitir que não sinto muito as coisas, talvez por isso preciso ser tão intenso. Para melhor senti-las preciso presta atenção, parar de me distrair com o olhar do outro e suas constantes inquisições. Preciso me perdoar do Outro. Gastei muita energia neste ano, estou cansado e sobrecarregado.
Será que o que Jesus quis dizer quando disse para lançarmos sobre ele o nosso fardo fosse exatamente isso? Sim. Carregar menos peso. Tudo que recebemos do outro pesa muito, porque não é nosso, é do outro. O nome disso, em psicologuês é introjeção. Introjetar é simplesmente engolir as palavras do outro, incorporar a demanda que vem do outro como sua. A saída saudável seria ,metaforicamente,mastigar o que vem do outro, assimilar aquilo que se harmoniza com nossas reais necessidades e rejeitar o que não condiz como nossa experiência. Mamãe sempre me diz que para uma boa digestão é preciso mastigar a comida 32 vezes, no mínimo. Eia meu desafio para o ano de 2010. Mastigar bem.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
São Luís-- nossa ópera -Bufa
Ilustração de Fernando Botero
Disciplina. É o que está faltando em minha vida. Muita disciplina. Caso contrário, como Fernando Pessoa, direi no fim dos tempos, sem a grandeza do mestre: não sou nada, nunca serei nada. A diferença entre esses dizeres é que um é dito pelo maior mestre da língua Portuguesa e o outro é dito por uma pessoa tão medíocre quanto uma lagartixa. Meu mérito é que eu sei que sou medíocre, ao contrário de 95% da população maranhense que jura que é merda boa. E não é.
Hoje fui a um concerto de uma cantora lírica, soprano muito boa, graduada pela Escola de Música do Maranhão que fez seu debut hoje em grande estilo em sua noite de formatura. O espetáculo era gratuito, mas ainda assim se havia 100 pessoas era demais. Lógico, é perfeitamente compreensível: não era Pool Party ( ingresso entre 40 a 60 reais), não era Castelo da fantasia ( ingressos até de 90 reais), não era Babilônia ( uma famigerada boate que pensa estar em Ibiza). Resumindo: era cultura. A geração tupiniquim maranhense não tolera cultura. O que eles gostam mesmo é puro entretenimento. Explico. Entretenimento é mera diversão, oba-oba, sentidos embotados. A cultura promove produção de sentido, o pensamento, eleva a alma, dá vida ao corpo, dá beleza aos olhos, produz um novo saber e um novo dizer sobre o que se vê e se admira. Mas, quem quer cultura nos dias de hoje? Poucos. Raros. O populacho vibra ao som do infame verso: “só se quer amar , se quer amar, se quer amar!”. Bobinhos.
Entretanto, no palco do Arthur Azevedo vi pessoas humildes se superando. Todos claramente vinham de castas sociais não muito favorecidas, mas exercendo magnificamente seu talento musical. Todos acima de nós. Aí pensei: quantos da fina burguesia média, farsante e auto-complacente de São Luís, que eu conheço, estudam música, canto ou algum instrumento musical? Quem produz cultura? Desconheço. Certamente tenho andando com o grupo errado de pessoas. A cultura está alhures. A única coisa que encontramos, aqui e ali, são filhinhos da aristocracia maranhense com sua incompetência católica tentando se aventurar nos palcos de respeitáveis teatros. Não sem antes mexer seus pauzinhos juntamente com a laia condescendente com esta barbárie na qual vivemos. Um lambendo as feridas dos outros e achando muito bonito. Patrocínio para pequenos infantes presunçosos e exibidos tem aos montes. E, lógico, público se consegue nos conchavos e favores sociais que todos eles devem a si mesmos. Comparecer a um evento cultural só se der status. Se for visto, se entrarei na mídia, ou entrar para aquele folhetim triste e opaco que de ótimo não tem nada e ter sua foto estampada com uma legenda referendando.
Quando se tem um evento da qualidade deste, de canto lírico da mais alta estirpe, de graça, ninguém comparece. Mas, que venha o Circo Du Solei ( que aliás é grandioso, mas caindo já no puro entretenimento por motivos que escreverei em outros dias...) com seu ingressinho de 500 reais, aí sim. Vai ter briga por camarote, por isso e por aquilo... E fulano foi, e fulano tava vestido assim, assado, cozido, frito e grelhado!! Pra festa de Jesus Luz ( sim, o capacho de Madona. Aquele garotinho bonito cujo único talento é ser bonito, namorar com Madona e ser esperto para aproveitar tudo isso e ganhar 20 mil por ser Dj durante 40 minutos) todos irão. Com suas roupinhas adequadas, bem fashionistas, cada um ligando para seu cada qual querendo saber como vai vestido. “Quem vai estar na festa. Vai bombar? Ficaste com quantos? Viu fulaninho lá? Todo mundo vai ta lá, tenho que ir”. Coisa e tal. Resumo da ópera: já deu né? Como viram cansei. Dei meu ataque histérico. Fiz minha oposição e plantei minha árvore de lucidez. Quiçá eu consiga ao menos arejar um pouco a pesada névoa de entorpecência cultural que paira sobre nossa não mais tão nobre capital maranhense.
De resto, parabenizo Cleidiane Silva pela belíssima demonstração de verdadeiro talento, disciplina, arte e superação. Espetáculos assim me tiram do conforto de minha casa. Agora, tentativas trôpegas de pura exibição, narcisismo e síndrome de BBB não me fazem mover minha bunda deste computador.
Tenho dito.
domingo, 6 de dezembro de 2009
De cara feia
Eu preciso aprender o segredo da diferença, da individualização. Sou infeliz a cada vez que não procuro meu próprio caminho, meu estilo, meu tipo, minha língua. Quero aprender a minha própria língua. Por que não sobreviver à tensão provocada pela diferença? Quando se vai a um bar ou boate o que mais chama atenção são todos vestidos exatamente iguais. Aliás, as marcas e grifes são o ápice da massificação. Mas, ninguém pode dizer que estar igual a todos, vestido igual, andando igual, dançando igual, tudo igual não dá um certo conforto. É que sustentar a diferença, seu estilo e personalidade não é nada fácil. Requer uma brutal morte narcísica. Mas como atrair o reconhecimento se não pela afirmação de sua diferença, de seu desejo? É certo que é mais fácil se vestir igual e ser tudo igual, se integrar à burrice comum e à mediocridade complacente da pequena burguesia, mas não se ganha nada a não ser o mesmo do mesmo. Ta aí mais uma resolução de ano novo: lutar pelas minhas próprias formas de dar conta do não-sentido dessa vida; meu próprio estilo em tudo. Talvez, sintomaticamente se explique porque não gosto de sair pra comprar roupas, deve ser minha dificuldade em descobrir meu próprio estilo. Preciso me assumir. Assumir minha completa diferença de tudo isso aí que está posto. Das vozes, dos coros, das roupas, dos tipos, dos homens, das mulheres, dos sexos, de tudo que há. Há muito do mesmo e eu não sou o mesmo. Devo engolir a vergonha de ser diferente e não sofrer pra ser igual. Começo a semana de cara feia. De cara torta pra quase tudo. Só uma dor permanece...Demoramos muito para aprender a viver e no fim aprendemos a viver só pra morrer. Senti uma urgência de viver, uma urgência quase apocalíptica, uma coisa um pouco morte anunciada. Dá até calafrios escrever. Mas é assim. É que preciso começar a viver minha própria vida, e não ser vivido por garras ferozes. Expurgar meu parasita, sacudir suas garras. Não será tão fácil, mas nunca é fácil apagar toda turba falante que nos precedeu, mas é um desafio e um bom projeto de vida. Uma boa semana a todos.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Auditoria de vida.
Hoje li uma frase que me colocou a pensar: “ não faça auditória de sua vida”. Ultimamente tenho tido esse péssimo hábito de averiguar se minha vida anda como deveria, como era esperado ou se está de acordo com minhas metas. Chego à conclusão de que não posso ter tantas metas assim, principalmente quando a maioria delas é irrealista e perturbada por ilusões as mais diversas. Acho importante ter objetivos e alvos na vida, no entanto é preciso ter a sensatez, humildade e paciência consigo mesmo e nada desses alvos atrelar ao nosso Ser. Parece que o sofrimento vem quando atrelamos nossas realizações ao nosso Ser. Em fim de ano sinto-me compelido a auditar minha vida, minhas escolhas e resultados. Mas, muito mais desafiador é ter coragem de me perdoar os erros e as escolhas infrutíferas. O tempo passa e de seus efeitos sentimos o vento duro dos futuros incertos. Tenho medo, não posso negar: das incertezas, dos amores, da vida, do dinheiro e da paixão. Tudo dá tanto medo, como aquele frio na barriga perante o amado. Quero chegar ao fundo de tudo; ao fundo de mim mesmo. Ontem quase cheguei. Resisti ao impulso para o fácil e tal como Rilke me ensinou, aferrei-me ao mais difícil. Não cedi de mim mesmo; tentei abrir as vias do desejo. Fiquei com a falta. Com a sensação de queda, de rompimento, de que meu Ser se rompia e expandia em calda. Respirei e sentei-me à mesa do bar. Paguei o preço de não ter o que quero. De não ser o que quero. Lembro de Kierkegaard quando em “ Temor e Tremor” fala do desmame da criança. Para facilitar o desmame o seio vai escurecendo até que a criança seja desmamada. Preciso chorar e não ser ouvido. Quero ter a força de vontade, “eu quero, eu posso, eu consigo”. Minha única resolução de ano novo será ter força na minha vontade para não ceder aos caminhos mais fáceis: das pérolas aos porcos até meu complexo da mulher Samaritana, aquela que nunca bebe da água do poço.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Dia mundial de luta contra a AIDS.
Hoje é o dia mundial da luta contra a AIDS. O que fazer perante perante tamanha desrazão? O que fazer com algo que emerge por dentro de nossa sexualidade, regulando, disciplinando, aterrorizando nosso prazer? Incrível, não? A AIDS é a morte em carne viva que espreita, o pior da doença é que ela atualiza todas nossas culpas cristãs com seu castigo certo e mortal sobre o sangue.Talvez por isso seja tão difícil destruir o estigma sobre os portadores do vírus, talvez porque no fundo, todos achamos que eles merecem o que receberam, por justo castigo divino.
Nada poderia estar mais longe da verdade. Enquanto virmos a AIDS com castigo ou merecimento nunca passaremos do estado de barbárie intectual. Até porque preconceito é burrice intelectual, não há outra explicação. Preconceito é burrice.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Hoje na Folha: Criar igreja e se livrar de imposto custa R$ 418
Olhem só..Acho que vou abrir uma Igreja, super lucrativo não? Tá aí explicado porque todo dia surge uma igreja nova! Que palhaçada.
Reportagem de Hélio Schwartsman, da equipe de articulistas da Folha, mostra que bastam cinco dias úteis e R$ 418,42 para criar uma igreja no Brasil com CNPJ, conta bancária e direito de realizar aplicações financeiras livres de IR (Imposto de Renda) e de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).
A reportagem, publicada neste domingo na Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal), informa ainda que não existem requisitos teológicos ou doutrinários para a constituição de uma igreja nem se exige um número mínimo de fiéis --basta o registro de sua assembleia de fundação e estatuto social num cartório.
Além de IR e IOF, igrejas estão dispensadas de IPTU (imóveis urbanos), ITR (imóveis rurais), IPVA (veículos) e ISS (serviços), entre outros impostos. Se a Lei Geral das Religiões, já aprovada pela Câmara e aguardando votação no Senado, se materializar, mais vantagens serão incorporadas.
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Reportagem de Hélio Schwartsman, da equipe de articulistas da Folha, mostra que bastam cinco dias úteis e R$ 418,42 para criar uma igreja no Brasil com CNPJ, conta bancária e direito de realizar aplicações financeiras livres de IR (Imposto de Renda) e de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).
A reportagem, publicada neste domingo na Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal), informa ainda que não existem requisitos teológicos ou doutrinários para a constituição de uma igreja nem se exige um número mínimo de fiéis --basta o registro de sua assembleia de fundação e estatuto social num cartório.
Além de IR e IOF, igrejas estão dispensadas de IPTU (imóveis urbanos), ITR (imóveis rurais), IPVA (veículos) e ISS (serviços), entre outros impostos. Se a Lei Geral das Religiões, já aprovada pela Câmara e aguardando votação no Senado, se materializar, mais vantagens serão incorporadas.
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sábado, 28 de novembro de 2009
Belos lamentos
Neste sábado voltei a Rilke, mais uma vez ao " Cartas a um jovem poeta". Sentia-me desolado e sonolento quando me deparei com este trecho: " Por isso, meu caro, ame a sua solidão e suporte a dor que ela lhe causa com belos lamentos".
"belos lamentos", que construção. Somente a poesia pode dar um salto tão grande e formular um " bem-dizer" de tal ordem. Bem-dizer a angustia e o sofrimento, eis aí o desafio de uma humanidade. Escrevendo isto me dou conta de que dar a sua solidão a alguém deve ser algo muito sério. Dar a solidão de graça a alguém que não pode recebê-la ou que fará pouco caso, ou ainda que não tem como compreendê-la e nem abraça-la é o mesmo que lançar pérolas aos porcos.
Como achar o equilíbrio ?
Enquanto isso eu fico com estas lindas duas palavras que unidas me fizeram me sentir tão bem: belos lamentos.
Belos lamentos: encontrei mais uma metáfora, na verdade na figura de um oxímoro para definir melhor o que a Psicanálise nos ensina no conceito de Desejo.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
O Corpo.
Saí do consultório e fui direto pra Litorânea dar uma corridinha básica. Faltei academia e precisava purgar meus fantasmas abdominais suando um pouco. Corri uns 15 minutos sem parar e, já esbaforido quis parar. Não parei. Veio uma sensação de que eu nunca tentei me superar. Desde da adolescência que parei na superação; sempre fui um pouco covarde e nos jogos de basquete nunca me esforçava tanto. Achava que eu não precisava me esforçar, que seria mais fácil assim. Uma indolência primitiva. Provavelmente tangenciada por meu Édipo, tão mal resolvido. Assim, resolvi continuar a correr, sem parar. “ Rafael, conhece-te e ti mesmo”. E que melhor forma de se conhecer do que sentir no corpo a dor do seu limite? Queria levar ao extremo a dor do meu corpo e sentir o suor e meu coração me dizer, batendo forte e cansado, até onde eu poderia ir? Eu queria me superar. Realizar algo fruto de uma superação, ainda que fosse chegar ao próximo poste de luz. Fiz. Senti a dor de realizar algo sozinho, com meu próprio corpo como abrigo e instrumento. O corpo é a resposta para a solidão. Saber usá-lo, como fiz ontem ainda que incipientemente. Sentir o corpo e superá-lo dá a sensação de que com o nosso corpo jamais podemos estar sozinhos, só não o conhecemos ainda. O calor que dele emana, a força de domar suas próprias raízes. Talvez o que Paulo dizia: sujeitar o próprio corpo e dominá-lo. Ele sabia bem.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Criminalização da homofobia. Mais ainda!!
Li este texto hoje e achei ótimo. A luta pela criminalização da homofobia deve continuar. Não adianta os homofóbicos de plantão continuarem a me agredir com seus comentários pérfidos. Se a lei passar vocês serão devidamente punidos por atos de agressão. O medo da população homofóbica é que esta lei os impede de continuar perpetuando anos de humilhação aos homossexuais. No Brasil e principalmente nordeste termos como " viado", " qualhira" e " bicha" são usados como as piores ofensas que alguem pode usar. Leiam.
Ditadura Gay
por Antonio Prata, Seção: Crônica do Metrópole 00:21:50.
“Você é a favor da aprovação do projeto de lei (PLC 122/2006) que pune a discriminação contra homossexuais?” Desde que a enquete apareceu no site do senado, faz umas semanas, evangélicos de todo o país iniciaram uma cruzada via internet, pelo direito de ofender pessoas que namoram pessoas do mesmo sexo.
Uma senhora chamada Rosemeire, por exemplo, expondo num blog seu temor de que a lei seja aprovada, disse que vivíamos “O início da Ditadura Gay no mundo!”. Pelo que entendi, Rosemeire acredita que está em curso uma batalha global, travada entre héteros e homossexuais, pela hegemonia na Terra. Hoje, os héteros estão vencendo, mas é só porque têm amparo legal para chamar os gays de viadinhos, as lésbicas de sapatonas e rir das piadas do Juca Chaves. No momento em que passarem a punir quem ofender pessoas que namoram pessoas do mesmo sexo, elas perceberão que chegou a hora, sairão todas correndo da The Week e tomarão o poder.
Imagine só, Rosemeire? Criancinhas terão de cantar Village People, na escola, enquanto assistem ao hasteamento da bandeira do arco-íris. Aos domingos, em vez de futebol, as TVs transmitirão Holiday on Ice e, com dezoito anos, os jovens serão obrigados a alistar-se no exército, fazer flexões de braço, dormir e tomar banho, uns na frente dos outros. Que horror!
Se você acha que Rosemeire exagerou, é porque não leu o blog de Rozângela Justino, cristã, psicóloga e indignada: “Se este Projeto (...) for aprovado, estaremos institucionalizando em nosso país o sistema de castas e todos aqueles que não forem homossexuais serão considerados cidadãos de segunda classe.”
Uau, Rozângela! O mundo, então, seria governado pela casta das Drag Queens? Um advogado gay, de terno e cabelo curto, seria de uma casta intermediária? E lutadores do Ultimate Fighting, viveriam de esmolas? Bem, talvez não...
Quanta imaginação têm as duas mulheres. Se seus piores pesadelos fossem filmados, seria preciso unir o talento de um Fellini com o de um Clóvis Bornay; juntar, no mesmo caldeirão, George Orwell e Andy Warhol; vislumbrar as ruas de Nova Déli sendo percorridas pela banda de Ipanema.
Se bem que... Sei lá. Pensando melhor, talvez o temor de Rosemeire e da Dra. Justino tenha algum fundamento. Veja o caso dos negros: há poucas décadas, todo mundo contava piada racista e eles eram cidadãos de segunda classe. Veio esse papo de igualdade, o que aconteceu? Um mulato chegou a presidente dos Estados Unidos!
A batalha racial já está perdida, mas a sexual ainda pode ser ganhar! Basta ir ao http://www.senado.gov.br/agencia/default.aspx?mob=0, clicar em NÃO e mostrar a todos que ainda tem gente disposta a lutar por um mundo injusto, desigual e preconceituoso!
Ditadura Gay
por Antonio Prata, Seção: Crônica do Metrópole 00:21:50.
“Você é a favor da aprovação do projeto de lei (PLC 122/2006) que pune a discriminação contra homossexuais?” Desde que a enquete apareceu no site do senado, faz umas semanas, evangélicos de todo o país iniciaram uma cruzada via internet, pelo direito de ofender pessoas que namoram pessoas do mesmo sexo.
Uma senhora chamada Rosemeire, por exemplo, expondo num blog seu temor de que a lei seja aprovada, disse que vivíamos “O início da Ditadura Gay no mundo!”. Pelo que entendi, Rosemeire acredita que está em curso uma batalha global, travada entre héteros e homossexuais, pela hegemonia na Terra. Hoje, os héteros estão vencendo, mas é só porque têm amparo legal para chamar os gays de viadinhos, as lésbicas de sapatonas e rir das piadas do Juca Chaves. No momento em que passarem a punir quem ofender pessoas que namoram pessoas do mesmo sexo, elas perceberão que chegou a hora, sairão todas correndo da The Week e tomarão o poder.
Imagine só, Rosemeire? Criancinhas terão de cantar Village People, na escola, enquanto assistem ao hasteamento da bandeira do arco-íris. Aos domingos, em vez de futebol, as TVs transmitirão Holiday on Ice e, com dezoito anos, os jovens serão obrigados a alistar-se no exército, fazer flexões de braço, dormir e tomar banho, uns na frente dos outros. Que horror!
Se você acha que Rosemeire exagerou, é porque não leu o blog de Rozângela Justino, cristã, psicóloga e indignada: “Se este Projeto (...) for aprovado, estaremos institucionalizando em nosso país o sistema de castas e todos aqueles que não forem homossexuais serão considerados cidadãos de segunda classe.”
Uau, Rozângela! O mundo, então, seria governado pela casta das Drag Queens? Um advogado gay, de terno e cabelo curto, seria de uma casta intermediária? E lutadores do Ultimate Fighting, viveriam de esmolas? Bem, talvez não...
Quanta imaginação têm as duas mulheres. Se seus piores pesadelos fossem filmados, seria preciso unir o talento de um Fellini com o de um Clóvis Bornay; juntar, no mesmo caldeirão, George Orwell e Andy Warhol; vislumbrar as ruas de Nova Déli sendo percorridas pela banda de Ipanema.
Se bem que... Sei lá. Pensando melhor, talvez o temor de Rosemeire e da Dra. Justino tenha algum fundamento. Veja o caso dos negros: há poucas décadas, todo mundo contava piada racista e eles eram cidadãos de segunda classe. Veio esse papo de igualdade, o que aconteceu? Um mulato chegou a presidente dos Estados Unidos!
A batalha racial já está perdida, mas a sexual ainda pode ser ganhar! Basta ir ao http://www.senado.gov.br/agencia/default.aspx?mob=0, clicar em NÃO e mostrar a todos que ainda tem gente disposta a lutar por um mundo injusto, desigual e preconceituoso!
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Realização.
Passou o ano da Intolerância, passou o ano da Resistência, e agora vem o ano da Realização. Aliás, hoje meu analista arrasou comigo enquanto eu contava para ele o nome do novo ano que se aproxima. Eu disse:
--ah...Agora vem o ano da realização, porque ano passado foi o ano da resistência.
Ao que ele prontamente responde:
__ Hum, vamos parar de resistir e vamos desejar.
Eu fiquei besta e saí da sala com o rabo entre as pernas. De fato depois de dois anos resistindo é hora de começar a realmente desejar e a realizar meu desejo. Como fazer isso ainda não sei ao certo, mas sinto que, como diria o Totoleke show: a sorte é sua e a hora é essa.
Que venha o ano da realização.
--ah...Agora vem o ano da realização, porque ano passado foi o ano da resistência.
Ao que ele prontamente responde:
__ Hum, vamos parar de resistir e vamos desejar.
Eu fiquei besta e saí da sala com o rabo entre as pernas. De fato depois de dois anos resistindo é hora de começar a realmente desejar e a realizar meu desejo. Como fazer isso ainda não sei ao certo, mas sinto que, como diria o Totoleke show: a sorte é sua e a hora é essa.
Que venha o ano da realização.
VOTE A FAVOR! VOTE CONTRA A HOMOFOBIA.
O Senado Federal está com uma enquete para saber a opinião pública acerca da lei que pune a discriminação contra homossexuais. Sejam sensatos e votem.
VOTE CONTRA HOMOFOBIA
VOTE CONTRA HOMOFOBIA
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Criminalização da Homofobia.
As minhas opiniões acerca do tema homofobia sempre causam frisson, mas não posso deixar de comentar. É um tema no qual precisamos insistir se quisermos viver numa sociedade verdadeiramente plural e onde há o mínimo de espaço para que cada um discirna sobre sua própria natureza humana. A natureza humana é plural, nunca foi unívoca como quer a Igreja e, ás vezes no passado, a ciência.
Segundo o site Congresso em foco, ainda na questão da lei que criminaliza a homofobia o senador Crivela, capacho da IURD continua lutando para amenizar o projeto de lei da Senadora Fátima Cleide. Além de excluir o termo “orientação sexual” da lei contra a homofobia, em seu voto em separado, Crivella também elimina pontos considerados inaceitáveis pelos pastores evangélicos. O mais sensível deles, na visão dos religiosos, é o que prevê até três anos de prisão para quem “impedir, recusar ou proibir o ingresso ou a permanência (de homossexuais) em qualquer ambiente ou estabelecimento público ou privado, aberto ao público”. É o caso, por exemplo, dos templos religiosos. Por mais que não se queria Crivela representa o interesse dos evangélicos como um todo e , qual deles em sã consciência tem caráter o suficiente para se opor a poderosa Universal do Reino de Macedo? Nenhum deles. Nem mesmo os irrustidos,que cá entre nós devem ser vários...Desses que pagam travesti pelas ruas aí ...
No fundo disso tudo está somente uma questão: as igrejas evangélicas querem ter toda a liberdade do mundo para continuarem a oprimir os homossexuais com sua pregação travestida de santidade e boa intenção. Querem também ter a liberdade de se recusarem a aceitar que um homossexual freqüente suas reuniões. Eles realmente acham que um casal gay vai pra igreja pra ficar se agarrando durante o culto? Poupe-me. Na verdade, são os casais héteros que não se desgrudam nem para cantar ou orar; ficam de mãozinhas dadas e trocando carícias o culto tudo, mas isso não choca ninguém, choca?
Marcelo Crivela quer substituir o termo “ orientação sexual “ simplesmente por “ sexo”. Bem, eu gostaria que ele me explicasse a qual sexo ele se refere! Outro dispositivo excluído pelo bispo da Universal é o que torna crime “impedir ou restringir a expressão e a manifestação de afetividade em locais públicos ou privados abertos ao público” de homossexuais nos quais isso seja permitido aos heterossexuais. “Daqui a pouco vão fazer sexo debaixo das nossas janelas e não poderemos dizer nada, porque será discriminação, será crime”, protestou recentemente o senador Magno Malta (PR-ES), também pastor evangélico e o mais feroz opositor ao projeto no Senado. O medo do senador é de que mesmo ein? Crivella também exclui, em sua proposta, o dispositivo que prevê até cinco anos de reclusão para quem recusar, impedir ou prejudicar a entrada e a ascensão de homossexuais, em função da orientação sexual, em “qualquer sistema de seleção educacional, recrutamento ou promoção funcional ou profissional”.“Os homossexuais também têm de aprender a lidar com a diferença de pensamento e opinião. O Estado não pode se meter na religião. Caso esse projeto vire lei, o pastor homossexual não vai poder ser demitido. Os professores dos institutos bíblicos e das escolas dominicais também não, porque têm vínculo empregatício”, reclama o senador fluminense.
Minha santa gente de Deus ! Se as igrejas forem demitir todos os pastores gays, funcionários, professores, cantores, líderes de células e seja mais lá o que seja...Fechem as portas”! O que eles querem é espaço para uma verdadeira caça às bruxas. O poder que a igreja tem se restringe a duas coisas, e isso vale pra igreja romana e para a evangélica: poder de realizar o casamento e realizar os sacramentos. Como a igreja evangélica dispensa os sacramentos ela inventa suas macumbas cristãs, como campanhas e maldições a fim de manter o pobre rebanho à rédeas curtas. Os homossexuais abalam exatamente sua principal força: o casamento, já que eles trazem a baila um novo tipo de família, inaceitável por ser uma abominação. Vejam mais uma opinião do excelentíssimo senhor senador Magno Mata:
Magno disse mais: “Minha preocupação agora é que hoje a pedofilia é tida como doença mental. No mundo espiritual, pra mim, isso é demônio. Mas se nós aprovarmos esse texto dizendo que não podemos discriminar a opção sexual, pra mim, legaliza a pedofilia. O pedófilo, sob orientação do advogado, vai dizer pro juiz que é sua opção sexual. Ele vai dizer ‘minha opção sexual, menina de sete ou nove anos’. Não poderão ser tratados como loucos ou criminosos”.
Para Magno Malta, o PLC 122/06 é uma “aberração” e institui uma inusitada ditadura no país. “Proponho aos senadores que ele morra no ninho. Não sei nem por que passou na Câmara. Da maneira como está posto, estamos instituindo uma ditadura homossexual no Brasil”, declarou.
E mais, veja o nível do senador...:
Qualquer indivíduo agora pode levar uma jumenta pra dentro de Casa, porque o Ibama só pune se for animais exóticos ou silvestres. A bestialidade de levar uma jumenta é uma opção sexual, ninguém pode dizer nada. Necrofilia, opção sexual”, disse o senador, em aparte a um colega
Minha gente, fica claro o que o senador pensa sobre os homossexuais: são uma aberração e uma bestialidade. Será que é tão difícil compreender que aqui não se trata de liberdade religiosa? Liberdade de culto os evangélicos têm todo dia para falar suas asneiras e hipnotizar multidão de dizimistas e ofertantes, o que mais eles querem? Eles têm toda liberdade do mundo para extorquir, enganar, tripudiar do sofrimento alheio com promessas fajutas de curas milagrosas, o que mais eles querem? Liberdade de pensamento religioso não é dar o direito que se demitir um funcionário simplesmente porque ele é homossexual, isso é regredir mil anos dos direitos de um cidadão! Os homossexuais são tratados por estes senadores como cidadãos de segunda classe, como uma escória que não merece os mesmo direito que todo cidadão.
Pra terminar queria saber mesmo porque eles querem liberdade para pregar contra o homossexualismo em seus púlpitos? Lhes falta outro tema para tratar em suas mensagens? Isso só comprova minha tese de que a igreja em geral só sabe pregar sob um ponto pedagógico negativo, ou seja, o que não se pode fazer. Quase ninguém prega sobre o que se deve fazer como cristão. Jesus quase nunca fazia esse tipo de mensagem. Sua pregação era sobre o Reino. Estes senadores são como aqueles dos quais Jesus falava: não entram no Reino e nem deixam os outros entrar. Continuo a favor da lei que criminaliza a homofobia, assim como estou contra qualquer fobia social, contra negros, mulheres, idosos, crianças e etc. no passado não muito remoto os negros não considerados nem gente! As crianças no início do século moderno não eram reconhecidas como necessitando de nenhuma atenção especial por parte do Estado. O ECA ( Estatuto da criança e adolescente ) é super recente, é de 1990. As mulheres na Grécia antiga não eram cidadãos. As coisas mudam. Os direitos são conquistados sempre na luta, no embate políticos de forças em oposição. É preciso que se lute, um dia,certamente, doa a quem doer, os homossexuais também serão cidadãos de pleno direito e, tal como as mulheres, negros e crianças assumiram seu espaço na sociedade brasileira.
A igreja evangélica busca tanta força institucional porque é morta. Uma igreja viva não depende de leis para funcionar: ela funciona mesmo sobre forte oposição. Ela funciona mesmo com Roma em chamas. Ela cresce e funciona com vida mesmo quando seus líderes são mortos à espada ou queimados numa estaca. Ela cresce com as diásporas. Ela floresce em meio ao tecido fino de uma sociedade, mesmo quando um Imperado proibi seus fiéis de servir a Deus e os obriga a lhe prestar reverência. A igreja só começou a morrer quando Constantino “ legalizou “ suas práticas e criou assim a religião. Uma igreja viva não teme os homossexuais...O senador Magno Mata fala do diabo, mas ele mesmo esquece que Paulo nos adverte que nossa luta , de fato, não é contra carne ou sangue, mas contra os principados e potestades dos ares...Potestades estas perante as quais ele também se curva.
Que Deus tenha misericórdia de todos nós.
domingo, 8 de novembro de 2009
Fame! Vem pro meu lado forever!!
Como já diria Sandrá de Sá: Vemmmmmm....Vem pro meu lado forever!
Acabo de chegar do cinema onde vi " Fame", um excelente remake do filme de Allan Parker, bem na minha década predileta—80s.
Saí do filme querendo saber dançar, cantar...Como diria Fivelinha, eu queria saber agora cantar, dançar e representar!
Para os que amam o gênero musical corram agora pra o cinema, o filme é uma perfeição do estilo “ Chicago” de musicais. Dançarinos e cantores mostrando que praticamente tudo é possível ao corpo humano. Minha alma é super piegas, mas ao mesmo tempo guarda em mim todos as personagens desse mundo. A maior dificuldade para mim é ser pequeno, é talvez aprender algo com a história de um dos dançarinos do filme.
Kevin é um dançarino que precisa dançar melhor do que todos para agradar sua duríssima professora de balé. Kevin entra na escola de Performing Arts cheio de fé em si mesmo e de que com um pouco de esforço ele vai atingir a superação que precisa para entrar em uma grande companhia de balé. Durante os quarto anos na famosa escola nova-iorquina ele se esmera, mas nunca parece conseguir chegar lá. Ao fim do curso, sua professora friamente lhe sugere procurar outra profissão, como por exemplo, dar aulas de balé, já que ele jamais conseguiria ser o grande bailarino que desejava. Kevin esbarrou em seu limite mais duro: seu corpo e seu talento. Depois de uma tentativa de suicido que não se concretizou, Kevin decidiu aceitar as circunstâncias voltando para Iwoa onde irá assumir a escola de dança de sua mãe. Sua fala final é : “ quero me tornar o melhor professor de dança que já existiu”.
As razões para Kevin ter me tocado tão profundamente são tantas e tão inconscientes que seria pedantismo meu uma auto-análise. No entanto, se uma coisa preciso aprender é isso: aceitar as circunstâncias. Que a felicidade é uma alquimia que se realiza no possível e que o impossível não existe posto que é meramente um apanhado de ilusões. Já o possível é o embate duro e seco que se faz na vida, concreta e fora dos filmes.
Eis novamente o desejo em sua mais prodigiosa dignidade; Kevin ensinou bem isso: quem deseja é porque não pode.
Uma boa semana a todos e lembrem-se:
Nem tudo é possível, mas vejam que belo é realiza algo:
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Invenção
Preciso mudar tudo! Tudo em minha vida precisa de mudança. Agora, por onde começar? Estava aqui pensando sobre um destino de viagem para o Réveillon e acabei percebendo, pressentindo na verdade ( como li recentemente a verdade se parece muito mais com um pressentimento do que com uma certeza objetiva) que preciso de uma mudança. O mais desafiador é que essa mudança só depende de mim. A primeira mudança é que não temi o tom confessional que um blog cria; nos últimos meses tentei fugir deste tom, mas não tem como. Este blog é fruto de minha vida, de meu percurso como humano, como psicólogo, como psicanalista e também de minha própria análise pessoal: meus embates e meus debates com minhas pulsões e com minhas palavras. É assim que se faz uma mudança. De repente as palavras se agrupam e você sente que a compreensão enfim se fez. Que uma força emerge de não se sabe onde e te dá energia para andar, para mexer os membros. Meu corpo primeiramente sempre soube e fala dessa mudança. Se remexe tentando me acordar. Mas, o certo é que preciso me autorizar algumas mudanças, autorização de que deve vir exclusivamente de mim. Ao contrário do que pensam alguns, eu penso muitos nos outros, porque no fundo ainda dependo da opinião que os outros nutrem ao mesmo respeito e com ela lançam luz sobre quem eu sou, já que eu mesmo pareço estar confuso quanto a isso. Entretanto, à proporção que vou mudando, de luz em luz, um facho de luz corta meus olhos e eu vejo claramente. É o tempo de compreender. E sabem quando eu fui mais certo de quem eu era? Na minha adolescência. Sou um nostálgico desse tempo. Do fim de minha adolescência e início da fase dita adulta. Por um momento eu vivi intensamente quem eu era. E depois esqueci. But It´s all coming back...All coming back to me now. Hoje eu quero, tranquilamente deixar que essa mudança acontece, sem anunciação ou performance. Somente uma solene afirmação daquilo que eu agora entendo como meu desejo. E o conceito de desejo se descortina perante a mim e isto é o que eu devo fazer: o desejo não existe, eu devo “ inventar o que fazer”, como diziam nossas avós: “ menino, vai inventar o que fazer”, isto é, vai dar um destino para esse comichão, pra essa pulsão, para esse não-sentido que te assola. Então, é isso pessoal, desejar é inventar o que fazer com o não-senso, com a dor, com a pulsão, com a solidão, com vazio, comigo mesmo, com os outros. É fazer algo bem feito com o buraco que escapa, com aquilo que falta à minha felicidade. E o que falta quando me sinto infeliz? O que falta quando me sinto só? Ninguém pode me dar, senão somente eu a correr ao redor da casa, como antes eu bem fazia e simplesmente, sozinho e com minha própria autorização...Inventar o que fazer.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
This is IT
Não poderia ter título melhor: Michael Jackson realmente é " it".Poucas vezes na história da humanidade alguém representou tão bem " a coisa " como MJ. " A coisa" é exatamente o objeto inominável por natureza, aquilo que a psicanálise denominou de objeto a: o objeto para sempre perdido por excelência em nossa história filogenética. O objeto de satisfação nunca mais a ser encontrado em nossa buscar por prazer. Em termos freudianos, o seio como objeto primevo de satisfação e para sempre perdido. Essa experiência única de satisfação e completude que uma vez tivemos, mas que separados dela nunca mais podemos reencontrá-las, mas que não poupamos esforços para revivê-la. Segundo Lacan, o objeto a é o objeto causa do Desejo, isto é, aquilo que sinaliza uma falta inerente em nossa estrutura psíquica e que nos faz tentar, através do desejo, preenchê-la. Parece que fiz uma digressão, mas não.
Ontem almocei, tomei um belo dum banho e fui ao cinema assistir o aclamado “ This is it”, o último show de MJ. Minha sala estava lotada de espécimes assustadores: crianças, adolescentes ( todos os idiotados, o que está acontecendo com os adolescentes de hoje? Éramos idiotas assim em nosso tempo? Não sei), patotas e mais patotas, gangues de patricinhas faveladas e boyzinhos tirando fotos ( todas pro Orkut) e mascando seus famigerados chicletes que muito provavelmente acabariam embaixo das cadeiras. Fiquei tenso, na verdade, desesperado. Esperei o pior: a exibição do filme seria a anti-sala do inferno. Pensei em sair correndo; pensei em voltar na última sessão. Pensei: meu Deus” Por que me abandonaste! Qual não foi meu susto, quando as luzes se apagaram e o filme começou deu-se silêncio sepulcral. Fiquei bestificado. Nunca esperei isso. Durante anos indo ao cinema sou ciente do poder catastrófico de adolescentes à beira de um ataque de nervos, hormônios descontrolados, espinhas espirrando pus. Mas, Michael, tanto encarnou o semblante do objeto por excelência que simplesmente calou as avultosas pulsões adolescente e simplesmente, como dizem por aí, causou!
Mj causou nas telas. Manteve por quase duas horas todos em silêncio, embevecidos de desejo. Todos queriam ser Michael Jackson. Ele sustentou por meio de sua face branca e opaca o desejo de todos nós. A face translúcida do rei do pop brilhou mais uma vez com a luz de nossos olhos. Ele é o mistério de todos nós;manteve para sempre abertas nossas questões, nossas perguntas, nossos enigmas. MJ me deu uma sublime aula do que é a presença velada e silenciosa do analista que não faz muita coisa, além de causar o desejo de seu paciente.
MJ rules!!
Ainda sinto muito por sua morte. Muito e pela minha também.
Ontem almocei, tomei um belo dum banho e fui ao cinema assistir o aclamado “ This is it”, o último show de MJ. Minha sala estava lotada de espécimes assustadores: crianças, adolescentes ( todos os idiotados, o que está acontecendo com os adolescentes de hoje? Éramos idiotas assim em nosso tempo? Não sei), patotas e mais patotas, gangues de patricinhas faveladas e boyzinhos tirando fotos ( todas pro Orkut) e mascando seus famigerados chicletes que muito provavelmente acabariam embaixo das cadeiras. Fiquei tenso, na verdade, desesperado. Esperei o pior: a exibição do filme seria a anti-sala do inferno. Pensei em sair correndo; pensei em voltar na última sessão. Pensei: meu Deus” Por que me abandonaste! Qual não foi meu susto, quando as luzes se apagaram e o filme começou deu-se silêncio sepulcral. Fiquei bestificado. Nunca esperei isso. Durante anos indo ao cinema sou ciente do poder catastrófico de adolescentes à beira de um ataque de nervos, hormônios descontrolados, espinhas espirrando pus. Mas, Michael, tanto encarnou o semblante do objeto por excelência que simplesmente calou as avultosas pulsões adolescente e simplesmente, como dizem por aí, causou!
Mj causou nas telas. Manteve por quase duas horas todos em silêncio, embevecidos de desejo. Todos queriam ser Michael Jackson. Ele sustentou por meio de sua face branca e opaca o desejo de todos nós. A face translúcida do rei do pop brilhou mais uma vez com a luz de nossos olhos. Ele é o mistério de todos nós;manteve para sempre abertas nossas questões, nossas perguntas, nossos enigmas. MJ me deu uma sublime aula do que é a presença velada e silenciosa do analista que não faz muita coisa, além de causar o desejo de seu paciente.
MJ rules!!
Ainda sinto muito por sua morte. Muito e pela minha também.
sábado, 24 de outubro de 2009
Vida
O que é a vida? Será o silêncio, a mudez do ato? A palavra fria que cai aos pés de nosso interlocutor?
Será o fim de toda demanda? O Alvoroço do amor? A delicadeza de um olhar? As intermitências do Desejo?
Quando se apaga todas as trilhas para que o amor nos siga.
É isso: apagar todas as trilhas e esperar pelo amor. Abrir toda a fraqueza e entregá-la a alguém. Assumir finalmente que se precisa sim da anuência de alguém e no fim , depois de ser abraçado, recebido, amado, finalmente saber que não precisava mais....
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Suicídio ou morte morrida?
"Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele fica só. Mas, se morre, produz muito fruto." – Evangelho de João.
Iniciei o processo de minha morte, e será morte matada, não morte morrida. Tenho pressa em morrer. Preciso dar fim a minha vida, àquilo que chamo de vida humana. Ao que eu chamo “Rafael” e por todos sou chamado. Cometerei um suicídio agressivo, quero deixar marcas por todo meu ser. Verei meu ser caído aos meus pés e só assim entrarei no descanso. Esta é a única forma de vencer aquilo contra o qual sucumbo todos os dias, eu mesmo: minha fé em mim, meu amor, meu apreço por mim, meu espírito forte. Tudo irá morrer..Já venho morrendo lentamente, mas agora será morte súbita. Não deixarei cartas. Quando me acharem irão encontrar algo novo, de supetão vou derrubá-los da cadeira, pelo susto e ver: e tu quem és? E eu nada responder. Suportarei a falta de olhares? Sim, porque para um morto, para aquele que não mais deseja nada, que não está preso ao que vem de um outro, ninguém olha. Meus olhos não dirão mais nada e ao mesmo tempo dirão tudo que sempre quis dizer; dirão inclusive aquilo que os outros querem dizer para mim.
Vivi até aqui. A partir de minha morte, já não mais vivo, mas se viverá em mim e por mim.
sábado, 10 de outubro de 2009
Seminário Fé e Graça. dia 10 de outubro, 2009
Queridos amigos do Seminário Fé e Graça. Aqui vai um pequeno resumo do tema que tratei no último encontro. Hoje, iniciarei a minha fala pela leitura deste texto que escrevi para o Seminário passado , mas não tive tempo de falar tudo. Assim, dou-lhes uma revisão e introdução daquilo que , permitindo Deus, falarei hoje: o amor. O texto, claro, é de minha autoria.
" O que queremos de fato? Não queremos Deus. queremos uma religião. Queremos algo que aplaque nossas culpas e complexos psicológicos. Queremos usar a religião como uma muleta emocional. Não queremos Deus ou levá-lo a sério porque isso mudaria todo o plano de nossa vida. Mudaria nossos desejos, nossas motivações, nossa escolhas , nossas atitudes. Mudaria tudo. E por que não muda nada? Não muda nada. Não nos traz paz, não nos faz amar mais, nem perdoar mais. Ao contrário. O que queremos é um arcabouço religioso que nos ajude a alcançar nossa vontade; nossos desejos, nosso coração podre e ambicioso. É por isso que queremos saber o que é pecado. Porque assim temos uma sequencia de regras e pronto! Temos nossa religião pessoal, temos nosso ópio. Temos nossa ilusão particular. Não se precisa assumir a responsabilidade por nossas vidas e nossos desejos e as conseqüências daquilo que desejamos para nossas vidas. É isso só isso o que a religião faz. Dá um apoio psicológico. Nos ajudar a suportar a vida por meio de ilusões. Mas, Deus de fato, não queremos. Porque começar a levar a sério este primeiro mandamento requer muito de nós. Amar a Deus sobre todas as coisas. O que significa isso? Significa que ninguém pode ser Deus para nós. Nem nossos maridos e esposas, filhos e amigos. Atinge em especial nossos relacionamentos. Por que vocês acham que o próximo mandamento atinge nosso próximo? Porque esta é a conseqüência natural do primeiro. Quando amamos a Deus acima de tudo nossa exigência sobre o outro desaparece ou pelo menos diminui consideravelmente. Aquele que está cheio de ágape, do amor verdadeiro de Deus, incondicionalmente aprende a amar os outros com o mesmo amor ágape.
" O que queremos de fato? Não queremos Deus. queremos uma religião. Queremos algo que aplaque nossas culpas e complexos psicológicos. Queremos usar a religião como uma muleta emocional. Não queremos Deus ou levá-lo a sério porque isso mudaria todo o plano de nossa vida. Mudaria nossos desejos, nossas motivações, nossa escolhas , nossas atitudes. Mudaria tudo. E por que não muda nada? Não muda nada. Não nos traz paz, não nos faz amar mais, nem perdoar mais. Ao contrário. O que queremos é um arcabouço religioso que nos ajude a alcançar nossa vontade; nossos desejos, nosso coração podre e ambicioso. É por isso que queremos saber o que é pecado. Porque assim temos uma sequencia de regras e pronto! Temos nossa religião pessoal, temos nosso ópio. Temos nossa ilusão particular. Não se precisa assumir a responsabilidade por nossas vidas e nossos desejos e as conseqüências daquilo que desejamos para nossas vidas. É isso só isso o que a religião faz. Dá um apoio psicológico. Nos ajudar a suportar a vida por meio de ilusões. Mas, Deus de fato, não queremos. Porque começar a levar a sério este primeiro mandamento requer muito de nós. Amar a Deus sobre todas as coisas. O que significa isso? Significa que ninguém pode ser Deus para nós. Nem nossos maridos e esposas, filhos e amigos. Atinge em especial nossos relacionamentos. Por que vocês acham que o próximo mandamento atinge nosso próximo? Porque esta é a conseqüência natural do primeiro. Quando amamos a Deus acima de tudo nossa exigência sobre o outro desaparece ou pelo menos diminui consideravelmente. Aquele que está cheio de ágape, do amor verdadeiro de Deus, incondicionalmente aprende a amar os outros com o mesmo amor ágape.
Como eu aprendo a amar a Deus... parece-me que amar a Deus e a consciência que temos de quem somos e de nossos pecados tem íntima relação. É como se o pecado fizesse parte do grande processo de humanização do homem. Pois a quem muito perdoou, muito amou."
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Gracias..Gracias
O que é o desejo? Lacan dizia: "Nunca cedas de teu desejo". Mas, o que é o desejo? Desejamos o que queremos e queremos o que desejamos? Eis a pergunta clássica que alguem se faz em uma análise, e eis a pergunta que me faço sempre quando falo e quando ouço .
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Livrai-me , " Aquilo que há".
*Começamos finalmente a entender o propósito do amor; refratário que agora estamos aos beijos mofados e dos líquidos amargos das bocas estrangeiras. E dos corpos que ardem sem que seus donos saibam por quem ardem; mas seus braços abraçam friamente, sem dolo, sem desejo, sem tristeza. Você também consegue ver que tempo se perde entre as pernas sem beleza, sem viço- -escurecidas pela máquina franksteiniana do gozo?
Teria você coragem de abandonar seus próprios dentes a morder sua língua na hora da dor? Estamos perdidos neste quarto sem ar, enforcados e dependurados sobre nosso próprio suor. E o peso das palavras vazias ditas sem humor, sem pudor. Porque o pudor alimenta o amor que antes tínhamos por tudo. Quase nada é neutro em nossas vidas, porque somos culpados de atentar contra nosso próprio ardor.
Somos daqueles que pulam a fogueira intacta, intocada e sem pranto. E é o pranto que evita nossa perdição... No choro, na dor, na luta, aí está nosso descanso prometido.
Livrai-me! Oh! “ Aquilo que há”! Livrai-me Aquilo que há!
E tu queres ser leve? Despojado de disso tudo? Do cheiro vil dos vampiros? Como renascer sem morrer? Mas, é contra essa morte que lutas; com tudo que tens te debates contra os espinhos de tua coroa. É preciso uma coroa de espinho para aquele que vai ressurgir. A ressurreição dos valentes... Daqueles que permaneceram até o fim, e a lição de tudo isso é que o apressado deveras come cru. Ah que temos comido tudo cru, apressadamente corremos aos limites sem bordas do ponto mais distante do tempo.
Será que você vai me ouvir? Sim, porque queremos, e isso eu sei, o pudor das virgens, o ardor que delas se sorve pode arder por séculos... E por trás de nossas vidas seu desejo espreita.
Ah quiséramos ser virgens pálidas a bordar cartas de amor... O ensinamento de um coração que ainda espera, porque meu coração já cansou de aguardar aquilo que do sexo se desfaz e cai...cai aos nossos pés. Sim, Babilônia está caindo, mas que se faça ouvir meu grito de meu peito: que caia minha Babilônia! Dá paz ao meu leito de sonhos...
E tu que sabes do amor?
*Carta aberta aos amantes do amor
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Do gozo ao amor.
Duas frases de J. Lacan são muito caras para mim:
" Não existe a relação sexual" e " Só o amor pode fazer o gozo ceder ao desejo".
Lacan faz uma belíssima exposição acerca do amor em seu Seminário " Mais, ainda", exatamente aquele com o qual no momento tenho me deliciado.
Aquilo que a relação sexual promete ela jamais cumpre-- a sensação de completude, unidade, de plenitude; a sensação de que você pode realmente "comer" o outro, assimilá-lo, unir-se a ele, e , mais importante de todas, de que podemos sim usufruir do corpo alheio. O problema que Lacan coloca é que não temos acesso ao corpo como tal, ou o corpo real. Nosso acesso ao corpo do outro é mediado, irremediavelmente, pela linguagem. A linguagem, como todos sentem na pele, não comunica nada, ao contrário, “ trumbica”. Há maus-encontros na linguagem e a demanda que lançamos ao outro sempre cai no mal entendido. Assim, no sexo e no amor temos sempre o mal entendido como inimigo, por isso não existe a relação sexual. A “ trepada”, por assim dizer, existe, mas naquilo que queremos transformar o coito em “ fazer amor” infelizmente "isso" cai no impossível.
Mas, é gozado que tenhamos escolhido essa expressão “ fazer amor”. Isso nos leva à segunda frase que lhes expus: só o amor pode fazer o gozo ceder ao desejo. Nossa insistência em fazer com que a linguagem expresse nosso desejo em relação ao outro é tamanha, que queremos vencer o coito, a trepada, a foda, a angustia inominável de sermos animais, porém não tanto, com a tentativa de fazer amor. Do gozo, da angustia de “ comer” ser “ comido” queremos fazer, disto, amor. Diz Lacan também, que o sublime é a parte mais alta daquilo que está embaixo. De nossa pulsão animalesca de consumir e ser consumido queremos fazer amor, porque o gozo, em si mesmo, é mortífero. Comporta em si aquilo que há de mais mordaz da pulsão de morte: comer o outro, ser comido, ser consumido, consumir, fazer do outro nosso objeto de gozo. O amor, como liame de linguagem, como seda, invólucro de nossa cambaleante fala, nos dá acesso ao desejo. Só o amor pode produzir esta enganação, ludibriar o gozo e deixar o desejo dobrar a esquina.
O amor é o sublime, isto é, o mais alto que está embaixo. Porque sim, somos humanos, mas aquilo que nos faz humanos vem debaixo. De nossos gozo, excrementos, volúpias e agressões...Quando tudo isso é endereçado ao outro, velado pelo amor, pelo mal entendido..Quando o amor nos orienta ao mais além do gozo, o adiamento do prazer para o desejo que realiza uma vida...Em algum projeto de vida. O amor é a vida de resignação daquele que percebeu, finalmente, de que não se pode gozar todo, o gozo absoluto seria a morte. Aquilo que Freud chamou de sensação oceânica é levar o gozo ao ápice. É tentativa dos tóxicos, dos místicos, da religião, da ciência e do sexo. Todas fadadas ao fracasso, posto que a linguagem nos tira o acesso direto ao gozo. Agora, gozo perpassado pela linguagem é amor , é desejo, é alguma possibilidade de prazer, não toda. Amar é fazer um compromisso com o gozo, justamente que não se pode gozar tudo, sempre e o tempo todo. Mas, pode-se ter algum prazer; aquele que baixa sua fronte perante o gozo absoluto é o único que aprende finalmente a amar.
E você...tem aprendido a amar?
" Não existe a relação sexual" e " Só o amor pode fazer o gozo ceder ao desejo".
Lacan faz uma belíssima exposição acerca do amor em seu Seminário " Mais, ainda", exatamente aquele com o qual no momento tenho me deliciado.
Aquilo que a relação sexual promete ela jamais cumpre-- a sensação de completude, unidade, de plenitude; a sensação de que você pode realmente "comer" o outro, assimilá-lo, unir-se a ele, e , mais importante de todas, de que podemos sim usufruir do corpo alheio. O problema que Lacan coloca é que não temos acesso ao corpo como tal, ou o corpo real. Nosso acesso ao corpo do outro é mediado, irremediavelmente, pela linguagem. A linguagem, como todos sentem na pele, não comunica nada, ao contrário, “ trumbica”. Há maus-encontros na linguagem e a demanda que lançamos ao outro sempre cai no mal entendido. Assim, no sexo e no amor temos sempre o mal entendido como inimigo, por isso não existe a relação sexual. A “ trepada”, por assim dizer, existe, mas naquilo que queremos transformar o coito em “ fazer amor” infelizmente "isso" cai no impossível.
Mas, é gozado que tenhamos escolhido essa expressão “ fazer amor”. Isso nos leva à segunda frase que lhes expus: só o amor pode fazer o gozo ceder ao desejo. Nossa insistência em fazer com que a linguagem expresse nosso desejo em relação ao outro é tamanha, que queremos vencer o coito, a trepada, a foda, a angustia inominável de sermos animais, porém não tanto, com a tentativa de fazer amor. Do gozo, da angustia de “ comer” ser “ comido” queremos fazer, disto, amor. Diz Lacan também, que o sublime é a parte mais alta daquilo que está embaixo. De nossa pulsão animalesca de consumir e ser consumido queremos fazer amor, porque o gozo, em si mesmo, é mortífero. Comporta em si aquilo que há de mais mordaz da pulsão de morte: comer o outro, ser comido, ser consumido, consumir, fazer do outro nosso objeto de gozo. O amor, como liame de linguagem, como seda, invólucro de nossa cambaleante fala, nos dá acesso ao desejo. Só o amor pode produzir esta enganação, ludibriar o gozo e deixar o desejo dobrar a esquina.
O amor é o sublime, isto é, o mais alto que está embaixo. Porque sim, somos humanos, mas aquilo que nos faz humanos vem debaixo. De nossos gozo, excrementos, volúpias e agressões...Quando tudo isso é endereçado ao outro, velado pelo amor, pelo mal entendido..Quando o amor nos orienta ao mais além do gozo, o adiamento do prazer para o desejo que realiza uma vida...Em algum projeto de vida. O amor é a vida de resignação daquele que percebeu, finalmente, de que não se pode gozar todo, o gozo absoluto seria a morte. Aquilo que Freud chamou de sensação oceânica é levar o gozo ao ápice. É tentativa dos tóxicos, dos místicos, da religião, da ciência e do sexo. Todas fadadas ao fracasso, posto que a linguagem nos tira o acesso direto ao gozo. Agora, gozo perpassado pela linguagem é amor , é desejo, é alguma possibilidade de prazer, não toda. Amar é fazer um compromisso com o gozo, justamente que não se pode gozar tudo, sempre e o tempo todo. Mas, pode-se ter algum prazer; aquele que baixa sua fronte perante o gozo absoluto é o único que aprende finalmente a amar.
E você...tem aprendido a amar?
domingo, 27 de setembro de 2009
O coração vai sarar
Ainda que pareça mentira o coração pode sarar; não se sabe por que o amor nasce ou morre.
Em mim ele demora a nascer, ou demora a morrer...Quando menos esperamos ele sara, não avisa, simplesmente sara e fica pronto para outra.
O amor é sempre o inesperado; um sopro inusitado que sempre vem e sopra onde e quando quer. É por isso que não direi que quero amar novamente, porque nesta sina querer não é poder. Somente posso aguardar que em algum momento, {desa(visada)(mente )} o amor me alucine novamente. Ou se fosse:
dessa-visada, mente. Eis o amor, aquilo que dessa visada a todos nós mente. Que ele minta urgente-mente para mim...Porque, quem consegue viver sem uma mitologia? " Mentiras sinceras me interessam".
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Meu pobre de espírito...
Felizes os pobres de espírito porque deles é o Reino dos Céus.
Como é bom ser pobre de espírito, isto é, saber que a verdade de minha alma está nua e crua e que meu espírito se empobrece a cada dia, quanto mais tenho a percepção de que não preciso afirmar nada de meu ser. Dizia Lacan que um psicanalista não deve dar satisfações do seu Ser, já que ele está constantemente ocupando uma posição de semblante, ou seja, de causar o desejo dos outros e por isso , seu ser pode ser qualquer coisa ; um espelho, um buraco negro; um reflexo ou uma fina camada de pele mimética . Então, caminho, passo a passo, em meus pas-de-sen, sem sentido, sem sentido e com vários passos rumo ai sentido.
Vou aprendendo a confiar cada dia mais na verdade que eu construo e ver, com repeito e humanidade as outras verdades de cada um, mas sem tê-las como espinhos no meu caminho. Estar pobre de espírito é isso: dissolver tudo aquilo que sou, que me tornei ou que quis ser para agora não ser mais nada. Não quero mais tentar me categorizar; achar meu nincho no mundo, meu lugar, o lugar que é meu. Não há mais lugar para um pobre de espírito, já que as categorias de sua essências cairam por terra, e ele já não se sabe mais ser humano, animal, homem, mulher, preto ou branco, macho ou fêmea. Mas o ser que se dissolve pode ser tudo e , acima de tudo isso, pode e deve permanecer nada. Vazio, fecundamente vazio, pronto para ser fertilizado. Um óvulo, uma pena soprada pelo vento. Quem teve o ser dissolvido é assim, tão somente pode realizar um movimento de vida...Que sobrevoa todas categorias transcedentais do espírito...Ele só consegue, com seu pobre espírito...Dançar.
Leia também:
Excomunhão
Como é bom ser pobre de espírito, isto é, saber que a verdade de minha alma está nua e crua e que meu espírito se empobrece a cada dia, quanto mais tenho a percepção de que não preciso afirmar nada de meu ser. Dizia Lacan que um psicanalista não deve dar satisfações do seu Ser, já que ele está constantemente ocupando uma posição de semblante, ou seja, de causar o desejo dos outros e por isso , seu ser pode ser qualquer coisa ; um espelho, um buraco negro; um reflexo ou uma fina camada de pele mimética . Então, caminho, passo a passo, em meus pas-de-sen, sem sentido, sem sentido e com vários passos rumo ai sentido.
Vou aprendendo a confiar cada dia mais na verdade que eu construo e ver, com repeito e humanidade as outras verdades de cada um, mas sem tê-las como espinhos no meu caminho. Estar pobre de espírito é isso: dissolver tudo aquilo que sou, que me tornei ou que quis ser para agora não ser mais nada. Não quero mais tentar me categorizar; achar meu nincho no mundo, meu lugar, o lugar que é meu. Não há mais lugar para um pobre de espírito, já que as categorias de sua essências cairam por terra, e ele já não se sabe mais ser humano, animal, homem, mulher, preto ou branco, macho ou fêmea. Mas o ser que se dissolve pode ser tudo e , acima de tudo isso, pode e deve permanecer nada. Vazio, fecundamente vazio, pronto para ser fertilizado. Um óvulo, uma pena soprada pelo vento. Quem teve o ser dissolvido é assim, tão somente pode realizar um movimento de vida...Que sobrevoa todas categorias transcedentais do espírito...Ele só consegue, com seu pobre espírito...Dançar.
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terça-feira, 22 de setembro de 2009
Seminário
Olá todos amigos do Seminário Fé e Graça,
Nossa reunião será NESTE SÁBADO, DIA 26 DE SETEMBRO, ÀS 17:30. O LOCAL Será na minha própria residência. Meu endereço enviei a todos que me deram o email e que estão na mala direta do Seminário. Quem estiver interessado e quiser saber meu endereço envie um email para : lobatopinheiro@hotmail.com , se identifique e me conte um pouco seus motivos para participar do seminário.
Aguardo vocês,
Rafael.
Nossa reunião será NESTE SÁBADO, DIA 26 DE SETEMBRO, ÀS 17:30. O LOCAL Será na minha própria residência. Meu endereço enviei a todos que me deram o email e que estão na mala direta do Seminário. Quem estiver interessado e quiser saber meu endereço envie um email para : lobatopinheiro@hotmail.com , se identifique e me conte um pouco seus motivos para participar do seminário.
Aguardo vocês,
Rafael.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Seminário
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
terça-feira, 15 de setembro de 2009
A excomunhão
Finalmente a vida me conduziu a mais um momento de clivagem, como diria minha dileta amiga Sandra Helena. Os momentos de clivagem são pontos existenciais onde somos obrigados a nos posicionarmos perante a vida ou então desistir de continuar. No meu caso, jamais desisto de continuar, porque a auspiciosa saga do desejo é essa mesmo: cheia de conflitos, embates e principalmente resistência. Aquele que decide viver pela ética do seu desejo, daquilo que lhe impulsiona; aquele que decide sair da alienação fundamental na qual somos fundidos como seres falantes numa dada cultura sofrerá sempre o preço caro a pagar por sua singularidade. E nem todos estão dispostos a levar sua singularidade ao limite mais longínquo, mais além, mais duro do ser.
Outro caminho para aquele que se vê confrontado por esta convocação é de dar explicações e satisfações ontológicas, isto é, uma satisfação concernente ao seu ser. Esta não será mais minha escolha, visto que dar satisfações sobre quem você é somente nos recoloca na roda viva da alienação no desejo do outro. Não é este o caminho que persigo. Ao contrário, construo a cada dia meus próprios fundamentos, minha própria casa construída sobre a rocha, meu próprio discurso, minha própria teoria de viver...Meu próprio saber.
Insisti durante muitos anos com a instituição “Igreja evangélica”, talvez pelo fato de eu ter nascido e criado dentro dos portões da igreja. Entretanto, minha paixão espiritual nunca foi alimentada pela igreja. Sempre estive lá, mas Deus para mim sempre foi de uma ordem superior e fora da ordem, fora da ordem da igreja. Passei por um longo aprendizado de amar e aceitar diferentes formas de expressão da espiritualidade, inclusive os evangélico. Só que chegou um ponto no qual não posso mais negociar. Minha consciência de fé e Graça de vida não mais comporta os portões da Igreja evangélica. Assim, vejo que preciso romper seus portões, destruir seus fundamentos e abandonar seus umbrais. Irei para fora da cidade oferecer meu sacrifício.
O apóstolo Paulo nos diz que a fé é um bom combate. Eu estou disposto a lutar esta luta, até as últimas conseqüências. Não posso deixar de falar do que ouvi e do que eu vi do próprio Senhor Jesus. Junto Dele aprendi a tomar o Seu jugo e Seu fardo, porque dele vem leveza de vida e liberdade no coração. Aquele que vive pela Graça e a conhece vive com o seu Ser sempre perante Deus; somente com esta afirmação radical de sua essência é que alguém pode experimentar o que é ser o que se é perante Deus e ser por Ele aceito, sem restrições.
Eu tinha certeza que meus trinta anos seriam paradigmáticos. Estou próximo de minha morte existencial. Tal como Jesus aos trinta iniciou seu ministério e aos trinta e três morreu para este mundo, assim, começo minha lenta e definitiva morte existencial. Morrerei para as cadeias do Ser; romperei com qualquer coisa que caracterize meu ser. Ficarei somente com as possibilidades existências que se descortinarem. Morrei para toda rigidez do viver, para as autoflagelações do viver e das culpas atiçadas pelos homens.
A igreja evangélica morreu há muito tempo. Está como o povo que caminhou durante 40 anos... E todos morreram em sua mente obtusa e teimosa. Assim é esta igreja. Toda deve morrer, porque se o grão não morrer ele nada frutifica. Mas há homens que são verdadeiros profetas em suas gerações e que nelas habitam mesmo quando o mundo deles não é digno. Conheço alguns deles e me rejubilo porque vozes clamam neste deserto... Preparem o caminho.
Finalmente atingi o pronto que por tanto tempo almejei: morri para o este sistema e ele morreu para mim. Minha morte será lenta, minha ressurreição como uma floresta reflorestada. A “ igreja” não está mais em mim e eu não estou mais nela. Portanto, que eu não seja mais importunado como um representante da causa evangélica. Eu a nada represento a não ser um Reino invisível que só se manifesta nos corações simples e humildades. O rei está nu e seu manto invisível só é visto pelos simples de espírito. O trono está vazio, não há quem tome seu lugar. Sigo minha caminhada com certeza, fé e segurança. Em confiança em Deus e em mim. A verdade de uma alma só o sabe seu dono e ninguém é obrigado a dar satisfações de seu ser. Pelo menos não aqueles que já saíram do estádio primário de busca de amor em fontes externas a Deus e a si mesmo. O desejo sempre remete a um Outro, mas é preciso saber que este Outro não é completo, ele também é cortada pela impiedosa marca da falta.
Assim, hoje entro para a história de minha vida e do mundo. Jericó perdeu seus muros ao sonido das trombetas. Eu deixo seus portais e caminho rumo a minha cidade que tanto almejo, cidade cujo arquiteto e fundador é o próprio Deus. Aos que permanecem na “ igreja” reafirmo minha amizade e o meu respeito, pelo menos àqueles que de coração puro servem ao Espírito da verdade, mas minha convivência a terão fora dos portões dogmáticos de sua instituição. Meu ser se expandiu demais e não foi comportado pelos braços da religião. Me expulsei, fui parido como um natimorto e recebido fui pelo misericordioso Deus. Minha luta, porém continua junto a todos os homens de boa fé e boa vontade. Que ninguém chore por mim. Quando não me acharem mais no meio da grande congregação a resposta a minha ausência será somente uma:
“ por que procuram dentre os mortos aquele que vive”?
Creio que hoje sim é o primeiro dia do ano da Resistência. Neste ano minhas conquistas existenciais devem ser defendidas com tudo que tenho, resistir até o sangue.
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