Este é um texto que escrevi e publiquei em setembro do ano passado referente ao meu rompimento com a dita igreja Evangélica. De tempos em tempos acho que é bom eu postá-lo para que fique claro minha posição, já que algumas pessoas ainda me confundem com evangélico por aí. Leia e entenda:
Finalmente a vida me conduziu a mais um momento de clivagem, como diria minha dileta amiga Sandra Helena. Os momentos de clivagem são pontos existenciais onde somos obrigados a nos posicionarmos perante a vida ou então desistir de continuar. No meu caso, jamais desisto de continuar, porque a auspiciosa saga do desejo é essa mesmo: cheia de conflitos, embates e principalmente resistência. Aquele que decide viver pela ética do seu desejo, daquilo que lhe impulsiona; aquele que decide sair da alienação fundamental na qual somos fundidos como seres falantes numa dada cultura sofrerá sempre o preço caro a pagar por sua singularidade. E nem todos estão dispostos a levar sua singularidade ao limite mais longínquo, mais além, mais duro do ser.
Outro caminho para aquele que se vê confrontado por esta convocação é de dar explicações e satisfações ontológicas, isto é, uma satisfação concernente ao seu ser. Esta não será mais minha escolha, visto que dar satisfações sobre quem você é somente nos recoloca na roda viva da alienação no desejo do outro. Não é este o caminho que persigo. Ao contrário, construo a cada dia meus próprios fundamentos, minha própria casa construída sobre a rocha, meu próprio discurso, minha própria teoria de viver...Meu próprio saber.
Insisti durante muitos anos com a instituição “Igreja evangélica”, talvez pelo fato de eu ter nascido e criado dentro dos portões da igreja. Entretanto, minha paixão espiritual nunca foi alimentada pela igreja. Sempre estive lá, mas Deus para mim sempre foi de uma ordem superior e fora da ordem, fora da ordem da igreja. Passei por um longo aprendizado de amar e aceitar diferentes formas de expressão da espiritualidade, inclusive os evangélico. Só que chegou um ponto no qual não posso mais negociar. Minha consciência de fé e Graça de vida não mais comporta os portões da Igreja evangélica. Assim, vejo que preciso romper seus portões, destruir seus fundamentos e abandonar seus umbrais. Irei para fora da cidade oferecer meu sacrifício.
O apóstolo Paulo nos diz que a fé é um bom combate. Eu estou disposto a lutar esta luta, até as últimas conseqüências. Não posso deixar de falar do que ouvi e do que eu vi do próprio Senhor Jesus. Junto Dele aprendi a tomar o Seu jugo e Seu fardo, porque dele vem leveza de vida e liberdade no coração. Aquele que vive pela Graça e a conhece vive com o seu Ser sempre perante Deus; somente com esta afirmação radical de sua essência é que alguém pode experimentar o que é ser o que se é perante Deus e ser por Ele aceito, sem restrições.
Eu tinha certeza que meus trinta anos seriam paradigmáticos. Estou próximo de minha morte existencial. Tal como Jesus aos trinta iniciou seu ministério e aos trinta e três morreu para este mundo, assim, começo minha lenta e definitiva morte existencial. Morrerei para as cadeias do Ser; romperei com qualquer coisa que caracterize meu ser. Ficarei somente com as possibilidades existências que se descortinarem. Morrei para toda rigidez do viver, para as autoflagelações do viver e das culpas atiçadas pelos homens.
A igreja evangélica morreu há muito tempo. Está como o povo que caminhou durante 40 anos... E todos morreram em sua mente obtusa e teimosa. Assim é esta igreja. Toda deve morrer, porque se o grão não morrer ele nada frutifica. Mas há homens que são verdadeiros profetas em suas gerações e que nelas habitam mesmo quando o mundo deles não é digno. Conheço alguns deles e me rejubilo porque vozes clamam neste deserto... Preparem o caminho.
Finalmente atingi o pronto que por tanto tempo almejei: morri para o este sistema e ele morreu para mim. Minha morte será lenta, minha ressurreição como uma floresta reflorestada. A “ igreja” não está mais em mim e eu não estou mais nela. Portanto, que eu não seja mais importunado como um representante da causa evangélica. Eu a nada represento a não ser um Reino invisível que só se manifesta nos corações simples e humildades. O rei está nu e seu manto invisível só é visto pelos simples de espírito. O trono está vazio, não há quem tome seu lugar. Sigo minha caminhada com certeza, fé e segurança. Em confiança em Deus e em mim. A verdade de uma alma só o sabe seu dono e ninguém é obrigado a dar satisfações de seu ser. Pelo menos não aqueles que já saíram do estádio primário de busca de amor em fontes externas a Deus e a si mesmo. O desejo sempre remete a um Outro, mas é preciso saber que este Outro não é completo, ele também é cortada pela impiedosa marca da falta.
Assim, hoje entro para a história de minha vida e do mundo. Jericó perdeu seus muros ao sonido das trombetas. Eu deixo seus portais e caminho rumo a minha cidade que tanto almejo, cidade cujo arquiteto e fundador é o próprio Deus. Aos que permanecem na “ igreja” reafirmo minha amizade e o meu respeito, pelo menos àqueles que de coração puro servem ao Espírito da verdade, mas minha convivência a terão fora dos portões dogmáticos de sua instituição. Meu ser se expandiu demais e não foi comportado pelos braços da religião. Me expulsei, fui parido como um natimorto e recebido fui pelo misericordioso Deus. Minha luta, porém continua junto a todos os homens de boa fé e boa vontade. Que ninguém chore por mim. Quando não me acharem mais no meio da grande congregação a resposta a minha ausência será somente uma:
“ por que procuram dentre os mortos aquele que vive”?
Nossa! Particularmente, após começar psicologia foi difícil acreditar na existência de um "deus biblico", pois vejo que existe muita influência política em sua construção e história. Mas ás vezes é difícil acreditar que não existe nenhum ser superior, pois existe muita "perfeição" em tudo o que condiz ao planeta e ao ser humano. Como se forma um bebê dentro da barriga de uma mulher? quanta perfeição nos "encaixes dos ossos"... Mas aí a segunda questão que me faz duvidar: "e aqueles que os ossos não se encaixam?" Porque existe tanta diferença em nosso meio, tanta injustiça? e etc... Ás vezes acho que existe um ser superior, mas não conforme a bíblia. Alguma coisa que o ser humano ainda não conseguiu explicar e reconhecer... sei lá. (também frequentei por 8 anos igrejas evangélicas, inclusive a UNIVERSAL, acredita? não? nem eu...)
ResponderExcluirABRAÇOS!